• Nelson Melo

A história do Jornal Itaqui-Bacanga inserida na evolução da imprensa maranhense

A história da imprensa maranhense é muito interessante. Entre os anos de 1821 e 1823, circulou, em São Luís/MA, o jornal “O Conciliador do Maranhão”. Esse fato marcou a gênese da atividade tipográfica no estado. Nesse percurso histórico, outros periódicos se destacaram, como “Publicador Maranhense”, “Alavanca”, “Gazeta de Codó” e “Pacotilha”. Ainda novo, o Jornal Itaqui-Bacanga (JIB) surgiu no dia 1º de maio de 2004. Os fundadores são César Cutrim e sua esposa, Jesonita Cutrim.



César Cutrim e Jesonita Cutrim fundaram o Jornal Itaqui-Bacanga no ano de 2004



De acordo com César Cutrim, o jornal surgiu como uma espécie de “tribuna”, que servia para falar sobre os problemas da área Itaqui-Bacanga, historicamente esquecida pelos políticos e empresários. “Nós conquistamos espaços e dominamos o mercado de São Luís. Esse projeto, cabe ressaltar, é de Deus, que colocou isso em nossos corações”, pontuou o empresário. Segundo ele, o nome do jornal foi escolhido por meio de uma mensagem divina, tendo em vista que nada foi pensado ou concretizado sem a permissão Dele.


Assim sendo, o sucesso se manifestou paulatinamente. O Jornal Itaqui-Bacanga, que começou com 700 exemplares, cresceu com o passar dos anos. A partir de 2010, o número de tiragens se elevou de forma surpreendente. Atualmente, frisou César Cutrim, são mais de 10 mil exemplares circulando semanalmente na região metropolitana da capital maranhense, que engloba os municípios de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. E, também, em inúmeras cidades do interior maranhense, de acordo com informações do empresário.


Esta alavancada foi possível, conforme o fundador, a partir de uma mudança de posicionamento, tendo em vista que se tornou mais próximo do povo devido à sua linha policial. O periódico também se envolve em projetos sociais nas comunidades e oferece premiação a pessoas que se destacam nos mais diversos setores, no tradicional “Troféu Itaqui-Bacanga”, concedido anualmente a líderes comunitários, jornalistas, blogueiros, políticos, gestores, delegados, policiais militares, empresários, membros eclesiásticos etc.


O “Troféu Itaqui-Bacanga”


Um dos eventos tradicionais no calendário maranhense é o “Troféu Itaqui-Bacanga” que, no ano passado, foi realizado em sua 17ª edição. Na ocasião, diversas pessoas, de áreas distintas, receberam os troféus dos “Melhores do Ano”, em reconhecimento pelo trabalho que fazem em seus respectivos ramos. O evento ocorreu no salão da Igreja Batista Corban, no Anjo da Guarda, em São Luís. Mais de 200 pessoas participaram da solenidade, marcada pelos discursos dos homenageados.



O "Ttoféu Itaqui-Bacanga" é realizado pelo JIB para reconhecer o trabalho das pessoas



A cerimônia foi realizada na noite do dia 30 de novembro, sendo que a abertura ocorreu às 18h. Eu fui um dos homenageados. Recebi um dos troféus, que guardo com carinho na minha estante. Em 2017 e 2018, fui vencedor dos “Melhores do Ano” na categoria “Jornalismo de Impresso”, respectivamente, na 1ª e 2ª colocação. Para mim, é um reconhecimento pelo trabalho que desenvolvo não apenas como jornalista, uma vez que a minha pesquisa sobre as facções criminosas já é internacional.


Quando eu digo internacional, significa que o meu segundo livro, “Guerra urbana – o homem vida loka”, está no Paraguai. A obra atravessou a fronteira do Brasil por meio do professor Juan Martens, advogado e criminólogo. Ele esteve na Universidade Estadual do Maranhão (Uema), na capital maranhense, no ano passado, para uma palestra sobre a presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) naquele país. Então, o troféu que recebi do JIB representa esse esforço para levar um debate amplo à esfera acadêmica acerca do crime organizado.


“O prêmio reconhece o trabalho de diversas pessoas, de várias categorias, que atuam em prol da população maranhense”, destacou César Cutrim. O Jornal Itaqui-Bacanga tem hoje o seu portal (WWW.jornalitaquibacanga.com.br). Com o passar dos anos, o JIB se torna mais virtual, processo inevitável na imprensa mundial. O presente também faz parte da História. Para entendermos o que está acontecendo, precisamos compreender o que já aconteceu.



Sotero dos Reis teria sido o primeiro a fazer publicações sobre a imprensa maranhense



Os primeiros registros de impressos no Maranhão ocorreram na segunda metade do século XIX, no Norte maranhense. Entre 1821 e 1979, essa região foi marcada pela circulação de 397 impressos, tendo São Luís concentrado quase a totalidade, com 355 títulos, e as demais localidades 42 periódicos, segundo Roseane Arcanjo Pinheiro, jornalista e professora universitária. O JIB é ainda bem atual, mas está na História.


A imprensa maranhense possui seus encantos. Voltando no tempo, verificamos como essa dinâmica avançou. Na boca do povo, dizem que o jornal impresso está “morrendo”. Na verdade, está ganhando uma nova vida.

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© 2019 por Nelson Melo.