• Nelson Melo

A importante decisão entre estarmos certos ou estarmos vivos

No filme “Fúria em Alto Mar”, dirigido por Donovan Marsh, o oficial Joe Glass, interpretado pelo ator Gerard Butler, lidera uma experiente equipe da Marinha dos Estados Unidos da América (EUA) para resgatar o presidente russo, que foi vítima de um golpe militar. O objetivo é evitar uma Terceira Guerra Mundial. A bordo do submarino USS Arkansas, o grupo percorre as águas do Mar de Barents, numa operação considerada de alta complexidade. Durante a arriscada missão, o comandante fez uma indagação que me chamou a atenção, devido ao teor filosófico: “É melhor estar certo ou estar vivo?”.




O comandante Glass fugiu do padrão para manter sua tripulação viva na arriscada missão



O comandante lançou esse questionamento ao imediato, que, na hierarquia da Marinha, é o oficial executivo do navio. Joe Glass quebrou o protocolo e não comunicou aos seus superiores sobre algumas decisões tomadas a bordo do submarino. Mas, quando deu tudo certo ao final da missão, ele proferiu a famosa declaração, tema deste artigo. Glass tomou decisões “em cima da hora”, colocando em risco não apenas sua vida, como a de outras pessoas que estavam na embarcação, incluindo o presidente russo, que foi resgatado pelos SEALs.


O submarino poderia ter sido atingido por vários mísseis lançados pelo autor do golpe militar, mas decidiu esperar o impacto. Contando com a sorte, houve uma ajuda externa que os salvou dessa tragédia. O imediato sempre queria seguir as regras e comunicar aos superiores, enquanto Glass optou por agir conforme as circunstâncias. Afinal de contas, o objetivo do comandante era deixar todos vivos. Naquela ocasião, de nada adiantava estar certo, quando o futuro de cada envolvido na missão estava em suas mãos. Uma escolha errada poderia culminar na Terceira Guerra Mundial.




Mísseis quase atingiram o submarino onde estava Joe Glass e seus subordinados



Análise filosófica



O filme nos remete a várias situações do nosso cotidiano, quando temos que decidir sobre algo. A civilização é uma luz no fim do túnel, mas pode ser uma colisão entre dois trens dentro desse mesmo túnel. O instinto, embora considerado um inimigo, pode ser um aliado nessa “selva civilizada”. Todos nós, em diferentes contextos, temos a chance de nos mantermos vivos até mesmo em momentos considerados extremamente tensos. Não tem nada a ver com moral ou ética, e sim com sobrevivência, porque as alternativas são colocadas na mesa de maneira repentina.



Nem sempre o correto equivale ao aceitável. Às vezes, fugir da linha pode representar o começo da renovação. A curva é perigosa, mas nos possibilita mostrarmos nossas habilidades diante de um cenário desafiador. O mais interessante é que, em muitas ocasiões, não é apenas a nossa vida que está em jogo, uma vez que outras pessoas dependem de nossas decisões. Esperar é diferente de não fazer nada, como já expliquei em outro artigo que publiquei neste site, quando recordei uma cena da série “Lost”, uma das minhas prediletas.




A tomada de decisões nos acompanha durante toda a vida nessa "selva civilizada"



Assim como Joe Glass tomou decisões cruciais para impedir um conflito armado entre duas potências mundiais, nós também passamos por situações similares no cotidiano. Nesses contextos, os padrões atrapalham mais do que ajudam. Por este motivo, uma linha de raciocínio distinta daquela convencional representaria a diferença entre a vida e a morte, em âmbito real e simbólico. Na “selva civilizada”, o que nos resta é navegarmos em mares calmos e turbulentos, a fim de adquirirmos a coragem necessária para o enfrentamento das adversidades, que só cessam com a morte simultânea do corpo e da mente.

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© 2019 por Nelson Melo.