• Nelson Melo

A ‘Pirâmide de Maslow’ e o uso da Psicologia nas análises

Para compreendermos qualquer evento, em contextos de grupos, é importante conhecermos pelo menos o básico de Psicologia. Esta ciência é fundamental para qualquer análise do comportamento humano, nas mais diversas situações. Por levar a sério isso, o Federal Bureau of Investigation (FBI) é uma das instituições investigativas com mais credibilidade no mundo. A “Pirâmide das Maslow”, que discorre sobre as necessidades humanas, é uma parte interessante para o entendimento de quem o outro é e de quem nós somos.



A "Pirâmide de Maslow" é muito importante para compreendermos a conduta humana



A primeira vez que li sobre essa “Teoria de Maslow” foi na faculdade de Comunicação Social, na cadeira de Marketing, com o professor Nélio Freitas, uma pessoa muito inteligente, que influenciou muito na minha carreira. Naquela época, eu nem imaginava que seria jornalista, escritor e palestrante. Abraham Harold Maslow (1908-1970) foi um psicólogo norte-americano que se interessou pelo tema das necessidades humanas e motivação após um longo estudo acerca do comportamento dos primatas (orangotangos e macacos).


Depois de se destacar nesse ramo, Maslow entrou na área da gestão de negócios, sobretudo depois de conhecer Peter Drucker e Douglas McGregor, dois autores muito conhecidos na Administração e na Economia.


Necessidades e desejos


Em Publicidade e Propaganda, costuma-se falar que existe uma diferença entre necessidade e desejo. Respectivamente, se referem àquilo que é mais fisiológico e àquilo que é mais psicológico. Por exemplo: beber água é uma necessidade, porque nosso corpo pede isso. Já beber refrigerante é um desejo, porque nossa vontade pede isso. Essa distinção é importante para compreendermos se algo é necessário para nossa sobrevivência ou se é apenas um capricho, um vício, uma “birra”, uma ilusão, por assim dizer.



A família é a base das nossas relações sociais e muito importante para nossa formação



O desejo é o fator que impulsiona as compras no mundo todo. As empresas utilizam muito esse recurso de Marketing para vender seus produtos. Os próprios traficantes oferecem a droga para seus “clientes” com a propaganda de que é da mais alta qualidade. Ainda dentro desse contexto, as facções criminosas mostram ao jovem, por meio de recursos psicológicos, que o Estado é o inimigo e que o rapaz pode conseguir rápido o que um mocinho passou anos para conseguir.


O traficante aponta o dedo para os prédios luxuosos e mostra ao garoto da periferia que ele pode entrar lá e levar o que quiser. O rapaz fica fascinado com aquela possibilidade ilícita. A ideia de missão, então, penetra no seu inconsciente, mexendo no aspecto primitivo do seu aparelho mental. Por isso que gosto de estudar Psicologia. A partir desta ciência, nós pesquisadores da área criminal ligamos os pontos e descobrimos conexões que outras pessoas não descobrem.


E por que não conseguem? Porque acham que o crime organizado é apenas essa coisa urbana de “matar” ou “morrer”. Existe um mecanismo psicológico e antropológico em todo esse processo. Como falei, o FBI sabe disso e se destaca ao traçar o perfil criminal de delinquentes. Em São Luís do Maranhão, longe dos EUA, de forma pioneira, estou fazendo algo parecido, ao sistematizar a conduta do “homem vida loka”. Inclusive, quando eu lançar meu terceiro livro da quadrilogia "guerra urbana", que ocorrerá no primeiro semestre deste ano, eu pretendo deixar um exemplar lá na sede do FBI.


‘Pirâmide de Maslow’


O psicólogo Maslow estabeleceu uma hierarquia das necessidades humanas. Na base, estão as necessidades fisiológicas, que englobam o básico para nossa sobrevivência, como alimentação, habitação, sono e respiração. Isso está muito ligado ao instinto. Quando os primeiros seres humanos exploravam a selva, eles se abrigavam nas cavernas e outros locais quando chovia. Essa conduta é mecânica e nos parece familiar, pois a nossa resposta imediata é corrermos e procurarmos um lugar seguro para não nos molharmos no momento da chuva.



Escrever um livro pode representar a superação de barreiras intelectuais que nos limitam



Na sequência da “Pirâmide de Maslow”, vem a necessidade de segurança, que está relacionada à forma como levamos nossas vidas e ao que construímos a partir das nossas atitudes. Se estou empregado, então eu me sinto seguro pelo menos parcialmente. Se o meu casamento é estável, então eu me sinto seguro pelo menos parcialmente. Se moro em um lugar com níveis de violência baixos, então me sinto seguro pelo menos parcialmente.


Depois, vêm as necessidades sociais, que nada mais são que aquelas referentes ao convívio, à coletividade, ao grupo. Embora o filósofo Schopenhauer preferisse viver sozinho, apenas com a companhia do seu cão “Atman”, a sociedade estava nele, querendo ou não, pois a civilização não começou do lado de fora. Na verdade, começou do lado de dentro. Ou seja, em nossa mente. Quem cria é o cérebro, mas a partir do que está disponível na natureza.


A necessidade de estima é a próxima da hierarquia. Ela é mais interna do que externa, uma vez que a forma como nos sentimos em relação a nós mesmos vai determinar como lutaremos por nossos objetivos. A autoconfiança, nesse sentido, é incentivada por meio dessa autopercepção. No último degrau da “Pirâmide Maslow” está a necessidade de autorrealização ou realização pessoal, que nos dá a sensação de que conquistamos tudo aquilo que estabelecemos como metas na vida.


Às vezes, alguém não está contente em um emprego e decide arriscar. Ele, então, monta uma empresa ou viaja pelo mundo, para conhecer outras culturas. A autorrealização está intimamente ligada ao que concluímos sobre quem somos e onde estamos. Esse ponto é fundamental porque, em muitos casos, a própria família não entende, por exemplo, quando um membro, que é concursado, ganhando bem, resolve pedir exoneração e explorar outras áreas. Eu passei por isso, pois era concursado da Prefeitura de São Luís, mas não gostava do que fazia.


A “Teoria de Maslow” ainda é muito atual. Todas as necessidades estão ligadas umas às outras, porque, quando temos um bom emprego, nós podemos comprar o que quisermos, curtir a vida da forma que desejamos e até escrever livros. A Psicologia é esse mundo maravilhoso que nos ajuda a compreendermos as pessoas e, principalmente, nós mesmos.

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© 2019 por Nelson Melo.