• Nelson Melo

Arriscar é se jogar do precipício e construir um avião durante a queda

O meu ingresso na literatura é consequência das minhas escolhas na vida. Eu afirmo isso porque é a mais pura verdade. O que fiz ainda tem impacto no que estou fazendo. E terá repercussão no que farei. Todos nós passamos por esse processo. Não há uma exceção, porque essa regra é existencial. Pelo menos por enquanto, não posso asseverar que é universal, uma vez que as naves espaciais Voyager 1 e 2, provavelmente, ainda não foram encontradas por alienígenas para além da heliosfera. Na Terra, alguém que se joga de um precipício e constrói um avião durante a queda é impulsionado pela vontade de sair vitorioso.

O precipício pode ser um local de reflexão quando a queda só existe no aspecto mental

Essa questão do precipício foi abordada pelo empresário Reid Hoffman, cofundador do LinkedLn, mas, no caso dele, a referência era o empreendedorismo. O que ele falou pode ser adaptado para qualquer situação cotidiana. A zona de conforto pode representar o caminho mais viável para o sofrimento duradouro no que tange aos problemas internos. Externamente, alguém pode ter tudo, mas, ao mesmo tempo, não ter nada. Essa contradição faz parte dos conflitos existenciais. Ninguém está protegido totalmente. Uma escolha tem consequências positivas ou negativas. Em alguns casos, as consequências são “neutras”.

Mas essa questão da zona de conforto se manifesta com mais consciência e consistência quando o sujeito está insatisfeito, mas não tem coragem de arriscar. Em inúmeras ocasiões, a imutabilidade gera mutabilidade. Em outras palavras, mesmo sem sair do lugar, alguém pode crescer em virtude de fatores alheios ao esforço próprio. Por via das dúvidas, é melhor apostarmos no movimento. Jogo parado é sem graça. Já pensou ficarmos olhando um tabuleiro sem podermos mexer as peças? O xadrez, para mim, é uma oportunidade de aprimorar as habilidades e despertar talentos até então ocultos.



O autoconhecimento tem muito a ver com a maneira como arriscamos diante das situações


Começar do zero

Às vezes, durante esse processo de readaptação e autoconhecimento, não temos outra alternativa a não ser começarmos do zero. É estranho, sem sombra de dúvidas, mas se torna familiar na medida em que as situações são resolvidas uma a uma. A pressa é inimiga, com certeza. A questão é ser rápido, pois o tempo não para um minuto sequer, uma vez que suas leis são cósmicas. A civilização não tem controle, pelo menos por enquanto, sobre o dia e a noite, do ponto de vista físico. Miticamente, podemos configurar “Chronos” e “Kairós”, dependendo das nossas necessidades arquetípicas referentes aos heróis e outros personagens que estão na mente humana.

A imaginação pode criar asas quando o sujeito está disposto a lutar sem medo ou culpa

Não há vergonha em começar do zero. O problema é ficar estacionado, ainda mais em local proibido. A reconstrução faz parte da condição humana, sendo que se caracteriza pela adoção de condutas benéficas para o bem-estar individual e coletivo. A sobrevivência depende de como dialogamos com outras versões nossas. Diante de um precipício, ficamos assustados. Mas se cairmos já com a intenção de colocarmos a vida acima de tudo, o resultado pode ser surpreendente. Lá embaixo, a imaginação cria asas. Essa idealização se concretiza quando entramos em campo com o objetivo de superarmos o maior inimigo: nós mesmos.

14 visualizações

© 2019 por Nelson Melo.