• Nelson Melo

As lições do Mestre Sun para nossa evolução nos combates da vida

Em 500 a.C, o Maranhão não estava nem no mundo inteligível. Mas, talvez, no “Hiperurânio”, termo citado pelo filósofo Platão em “Fedro”, a ideia do território maranhense já existia como substância. Naquela instância, não há cor ou forma. O sangue, no entanto, no cenário real, oferece uma tonalidade fúnebre em todas as unidades federativas do Brasil. Antes de Cristo, foi produzido o mais antigo tratado militar da história. “A Arte da Guerra” é um manual que não é restrito aos combates das batalhas. Por meio desses ensinamentos, cada cidadão pode evoluir como pessoa, profissional, pai, esposa, irmão ou mãe.


O Mestre Sun Tzu, dentre tantas lições, disse que, se as ordens do comando não foram suficientemente claras, se não foram totalmente compreendidas, então a culpa é do general. “Direita volver” ou “esquerda volver” podem significar algo como “não mexa nisso, menino” ou “você já tem esse brinquedo”. Os “generais” são os pais. Mas também podem ser os professores, que, às vezes, não sabem como transmitir um comando aos alunos, de tal forma que estes captam a mensagem.


Em parte da época na qual Sun Tzu viveu, a guerra era percebida como um ritual. Por exemplo: evitava-se combater no inverno, em virtude do frio intenso. Era moralmente correto civilizar os “bárbaros” e aqueles que poderiam levar o Estado à ruína. A civilização é uma realidade que se inicia na mente do ser humano. Do cérebro, a tecnologia se estende para o ambiente. Acontece que, se as cidades estão arruinadas em termos de educação, saúde, saneamento básico e infraestrutura, significa que os governantes idealizaram o progresso somente para si. O povo, por outro lado, ficou vulnerável a diversos problemas, incluindo as facções criminosas.




Após 500 a.C, a ideia de guerra se modificou, pois as operações militares ficaram cada vez mais impregnadas da sensação de vitória. As tropas, nesse sentido, eram agrupadas para a defesa e o ataque. O general Sun Tzu estudava o contexto político/econômico para elaborar estratégicas e táticas de combates. Não bastava apenas ter conhecimento bélico. Um universitário não pode se fechar para um conteúdo. Se ele é estudante de Jornalismo, é fundamental que leia sobre outros assuntos, como Política, Astrofísica, Antropologia, Psicanálise, Filosofia ou Criminologia.


Mas esse estudo não pode ser aquele reduzido, como se fosse uma cadeira da universidade. O próprio universitário deve construir sua ementa. Essa bagagem intelectual será importante para sua evolução cognitiva. Ele deve se preparar para a vida, afinal de contas. Essa correria para obter o máximo de conhecimento vai resultar em um conforto e segurança. Por isso que Sun Tzu frisou que o verdadeiro objetivo da guerra é a paz.


Em um contexto de guerra urbana, um dos motivos que favorece essa realidade instável é a divergência de iniciativas em prol de apenas um objetivo: prevenir ou combater o crime organizado. “Várias mentes com um único ideal” é uma lição que “A Arte da Guerra” nos fornece. No Brasil, é frequente a visão adversária entre as polícias Civil e Militar. Essa discordância institucional ocorre ao mesmo tempo em que uma facção criminosa divide cada vez mais suas tarefas. A luta do Estado deveria ser direcionada, pois a fragmentação deixa os espelhos em pedaços.


Às vezes, uma das polícias tem um conhecimento mais avançado sobre os grupos criminosos, mas a outra instância não aceita porque o pioneirismo fala mais alto. Enquanto isso, o inimigo cresce. Sun Tzu salientou: evite batalhas duradouras; busque a vitória rápida. O fenômeno do crime organizado no Brasil, no formato de facção, acontece desde o final da década de 1970, quando surgiu o Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro. De lá para cá, o que mudou? Facções se desintegram, mas outras nascem da própria destruição da anterior.


Em Dragon Ball, o vilão Cell se regenerava ao ser momentaneamente derrotado porque possuía células de Piccolo. A mesma coisa acontece com as facções criminosas, que se fortalecem com os erros do Estado. Os faccionados absorvem a forma como as instituições agem. Essa incorporação é notada, principalmente, na hierarquia e geografia.


Então, se a batalha contra o crime organizado está sendo duradoura, significa que muitos erros foram cometidos pelo Estado de lá para cá. Além disso, ações indevidas foram praticadas pelas famílias, pela escola, enfim, por outras instituições. Não podemos deixar a história para trás, porque ela sempre vem conosco. Energia e tempo são elementos preciosos, como destacou o Mestre Sun. Desperdiçá-los, portanto, representa a vitória da prepotência e ignorância sobre a inteligência no mundo sensível.

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© 2019 por Nelson Melo.