• Nelson Melo

Cientista Rodrigo Dias comenta sobre Educação Física e pesquisa

Em 2012, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) anunciou a descoberta de uma nova partícula elementar, o Bóson de Higgs, conhecido, popularmente, como “Partícula de Deus”. Naquele mesmo ano, do lado de cá, um excepcional pesquisador venceu o “Prêmio Jovem Cientista”, sendo que tudo começou depois que ele começou a acompanhar os experimentos com ratos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O mineiro Rodrigo Gonçalves Dias, que possui três pós-doutorados e está morando em São Luís/MA, em entrevista que concedeu ao meu site, falou sobre a importância da Educação Física para a saúde e o mundo científico.


O doutor mineiro Rodrigo Dias é um pesquisador indo e voltando (Foto: Arquivo Pessoal)

Na entrevista, que foi concedida em homenagem ao “Dia do Profissional de Educação Física” - comemorado nesta terça-feira (1º) -, Rodrigo Dias explicou que o referido curso possui várias vertentes, isto é, muitas frentes de atuação. “Basicamente, podemos dizer que o exercício físico é utilizado para fins de prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares e metabólicas. Ou pode ser utilizado para fins de ganho de performance física humana. Na faculdade, você pode optar por um ou por outro caminho. Pode se especializar em uma área ou outra. E ainda tem a Licenciatura, que é o convencional da Educação Física”, esclareceu o jovem, que está realizando palestras em várias instituições no Maranhão.

Dedicação à pesquisa

Ele comentou que optou pelo curso de Educação Física porque, na época, era triatleta: fazia corrida, pedalava e nadava. Naquele momento, sua preocupação não era a profissão, mas a manutenção de sua prática regular nos treinamentos que realizava, a fim de ganhar performance nos esportes, nas três modalidades. Mas tudo mudou quando Rodrigo ingressou, de fato, na Unicamp, onde teve a oportunidade de fazer uma “ronda” na universidade, para conhecer outros setores.



A pesquisa de Rodrigo Dias beneficia diversos atletas no Brasil inteiro (Foto: Arquivo Pessoal)

“Dei uma volta no campus e visitei os cursos de Engenharia, Medicina, Biologia, Filosofia, dentre outros. Então, entrei no Laboratório de Adrenoceptores Cardiovasculares, no Departamento de Fisiologia e Biofísica, no Instituto de Biologia, onde se fazia pesquisa experimental com ratos”, relembrou o entrevistado. No local, como o doutor Rodrigo enfatizou, ocorriam testes com novos medicamentos nos roedores, a fim de verificar os impactos de uma dieta com alto teor de gordura.

Então, o vencedor do “Prêmio Jovem Cientista” apresentou uma proposta à coordenadora do local: no lugar de testar o efeito dos medicamentos com relação às doenças induzidas por uma alimentação gordurosa, poderiam colocar os ratos para praticar exercícios físicos, a fim de testar o potencial que as atividades teriam em prevenir e até mesmo reverter um quadro de enfermidade causada pela dieta hiperlipídica. “Em 5 anos de graduação em Educação Física, tive a oportunidade de fazer quatro anos e meio em Iniciação Científica nesse laboratório”, destacou o doutor Rodrigo Dias.

Essa experiência extraordinária foi essencial para sua carreira como cientista e para seu desenvolvimento intelectual, de acordo com Dias, que tem três pós-doutorados em Genética, Cardiologia e Medicina do Esporte.

Jovem e carismático

Como repórter e pesquisador da área criminal, já acompanhei algumas palestras proferidas pelo doutor Rodrigo aqui na capital maranhense, de forma mais específica, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Em todos esses momentos, fiquei impressionado com o fato de que os detentos, realmente, interagem e se emocionam. Alguns presos até choram. Lembro de uma que presenciei na Unidade Prisional São Luís 4 (UPSL 4), em setembro do ano passado.

Natural de Itajubá, no sul de Minas Gerais, Rodrigo contou sobre sua carreira durante aquela palestra. Relembrou quando não tinha “pique” para estudar até o dia em que se deu conta do que estava fazendo. A partir daquele instante, começou a ler bastante, estudando dia e noite, para provar a si mesmo que era capaz de conseguir tudo o que queria na vida. Mas, claro, tudo com dignidade, virtude que o cientista mineiro vivencia diariamente.

O resultado de tanto esforço, enfim, apareceu: Rodrigo passou em sete faculdades, sendo que escolheu Educação Física na Universidade Estadual de Campinas. Dias, como hoje, era um estudante curioso e tinha a ciência em sua genética, por assim dizer. Ele começou a acompanhar os experimentos com ratos. A partir dali, ganhou seu próprio caminho ao se destacar em toda a universidade. O reitor, evidentemente, soube da fama daquele homem que, em 2012, receberia o “Prêmio Jovem Cientista”.



O sorriso dos atletas comprova a eficiência da pesquisa de Rodrigo (Foto: Arquivo Pessoal)


Antes, em 2008, venceu o prêmio “Eduardo Moacyr Krieger”, na área da Cardiologia. De lá para cá, o sucesso do mineiro só ganhou força. Ele também já palestrou na “Semana do Encarcerado”, evento promovido pela Secretaria de Administração Penitenciária do Maranhão (Seap). Ademais, Rodrigo trabalhou durante dois anos como professor visitante na Universidade Federal do Maranhão (Ufma). Com sua força de vontade, Dias vai mostrando aos detentos que sempre há escolhas, isto é, sempre há possibilidade de redenção. Em outras palavras, nada é irreversível.

Rodrigo Gonçalves Dias é um pesquisador indo e voltando, como se diz na linguagem popular. Em sua produtiva rotina, comprova que não existe causa perdida enquanto houver alguém lutando com todos os recursos que encontra. De Minas Gerais, ele trouxe ao Maranhão a sua experiência e sua competência. Associando a genialidade com a vivência, o “jovem cientista” compartilha um mundo de possibilidades construtivas com quem deseja reformular suas próprias crenças errôneas sobre a vida.

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© 2019 por Nelson Melo.