• Nelson Melo

Conheça a história da Sociedade de Astronomia do Maranhão

Ao completar 70 anos, o astrofísico britânico Stephen Hawking disse uma das frases mais marcantes da história do Universo desde o “Big Bang”: “olhe para as estrelas e não para os seus pés”. A contemplação é uma das formas de superarmos alguns problemas da vida. O deslocamento das nuvens pode causar uma sensação de êxtase em quem acompanha esse movimento. Mas, “acima” disso, existem coisas mais fantásticas, ainda. Com a ajuda de um telescópio, essa observação se torna possível. A Sociedade de Astronomia do Maranhão (Sama) realiza esse trabalho em prol da sociedade, por meio de eventos e debates produtivos.



Os primórdios da Sama revelam como a entidade é uma grande fonte de informação

Na Sama, não existem “estrelas”, porque esse lugar já é ocupado pelos corpos celestes. Estes são contemplados em todas as suas dimensões. O bom é que as estrelas não caem, como minha mãe me falava quando eu era criança. Lembro, inclusive, que evitava olhar fixamente para o céu à noite por causa dessa crença errônea, mas necessária para minha imaginação infantil. Em dezembro deste ano, a Sociedade de Astronomia do Maranhão irá comemorar seu 44º aniversário. Já são mais de quatro décadas estudando e divulgando essa ciência (e outras afins) de maneira acessível para crianças e adolescentes.

De acordo com informações que coletei do site da entidade, tudo começou quando dois jovens estudantes do Colégio Marista Maranhense (Irmãos Maristas/Congregação Marcelino Champagnat), em São Luís/MA, se conheceram aos 12 anos, na 6º série do antigo 1º Grau, hoje denominado Ensino Fundamental. Paulo Roberto Melo Sousa e Carlos Eduardo Portela Serra de Castro passavam alguns momentos do dia conversando sobre ciência, sobretudo ao final das aulas, no horário do meio-dia. Em julho de 1976, Portela assistiu a uma reunião da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia (SBAA), em Fortaleza, no Ceará, onde, no ano anterior, havia sido realizado o “I Colóquio de Astronomia do Nordeste”.

A Sama oferece o serviço de observação telescópica desde a sua fundação em 1976

A SBAA, aliás, foi o primeiro grupo de Astronomia amadora do Brasil, sendo que foi criada naquela cidade em 1947 pelo astrônomo amador Rubens de Azevedo, juntamente com outras pessoas. Segundo apurei no site da Sama, Carlos Eduardo comprou um opúsculo que continha os textos condensados das palestras que haviam sido proferidas em 1975, durante o “I Colóquio de Astronomia do Nordeste”. Então, Portela presenteou Paulo Melo Sousa (hoje um dos grandes poetas da literatura maranhense) com o livreto. A partir desse episódio, foi lançada a ideia da criação de uma entidade que estudasse a ciência astronômica de maneira similar à Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia.

Paulo e Carlos, então, convidaram outros estudantes do Colégio Marista, que, prontamente, aceitaram ingressar no grupo. Dentre esses alunos, podemos citar Antônio Nilo da Costa Neto, Gabriel Bernardes Gomes e Antônio Carlos Ramos Amorim Júnior. A primeira reunião da entidade ocorreu em 16 de dezembro de 1976, às 16h, na Rua Rio Branco, Centro de São Luís/MA. Inicialmente, a denominação era Sociedade Astronômica Maranhense de Amadores. O estatuto da sociedade civil foi publicado no Diário Oficial do Estado do Maranhão em 11 de agosto de 1988. Após alguns anos, houve a mudança de nome para Sociedade de Astronomia do Maranhão.

Observações de fenômenos

A Sama realiza diversos eventos, a fim de possibilitar às crianças, adolescentes e adultos uma aproximação menos burocrática com relação ao Universo e suas maravilhas. Desde sua fundação, a entidade já realizou várias observações de fenômenos e corpos celestes em universidades, shopping centers, praças e outros locais na Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa). Além disso, oferece seminários, palestras e encontros para debater temas referentes ao cosmo.

Crianças se divertiram no Bequimão ao observarem a Lua em evento da Sama em 2019



No final do ano passado, a Sociedade de Astronomia do Maranhão esteve na Vila Padre Xavier, na região do bairro Bequimão, na capital maranhense, onde as crianças e adolescentes puderam visualizar a Lua através do telescópio. Os interessados em se associar à Sama podem entrar em contato pelo seguinte número: (98) 98730-8342. Ou por meio do correio eletrônico (br_sama@yahoo.com.br).



Não se esqueçam de que moramos em um “Pálido Ponto Azul”, como disse Carl Sagan. Aqui, estamos protegidos pela atmosfera, mas, para além dessa camada, existe um espaço infinitamente belo, cuja origem pode ser estudada na Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas, uma das fontes mais ricas de informação sobre o universo primordial.

9 visualizações

© 2019 por Nelson Melo.