• Nelson Melo

Dia do Filósofo: quando o cérebro precisa da Psicologia e Biologia para funcionar

Neste dia 16 de agosto, é comemorado o Dia do Filósofo. A data é uma oportunidade para que cada ser humano reflita sobre suas metas e objetivos na vida, apesar dos problemas que enfrentamos diariamente com relação a vários setores, como família, lazer, emprego, saúde e esporte. Um filósofo é um personagem que aparece na Terra a cada segundo, pois sua existência está intimamente vinculada à civilização. O instinto, nesse cenário, seria rebaixado à “terceira divisão”, mas essa ideia é consciente. No cotidiano, continuamos sendo influenciados pelos pensamentos “primitivos”.



Filósofo é alguém que reconhece ser dominado pelo instinto e civilização ao mesmo tempo


A Filosofia, na minha opinião, não é somente uma disciplina, como também uma condição do próprio ser humano enquanto detentor da razão (consciência). Nesse sentido, todos nós seríamos filósofos, embora com graus de intensidade. Algumas pessoas são mais conscientes desse aspecto existencial, enquanto outras ignoram ou simplesmente não sabem que possuem essa tendência ontológica. A questão não é apenas pensar sobre um evento interno ou externo, uma vez que sistematizar a linha de um fato é tarefa considerada complexa.


É um processo similar à teoria do “Homem Corredor”, que o jornalista Christopher McDougall descreve em sua fascinante obra “Nascido para Correr: a experiência de descobrir uma nova vida”. No livro, o autor observa que todos nós somos corredores, pois os nossos ancestrais tinham essa característica relacionada à coleta e à caça, nos tempos primitivos, quando a civilização ainda era apenas um arquétipo, que estava no “Mundo Inteligível”, conforme a concepção platônica. Por isso que McDougall relata que a maratona é uma versão da caçada "pré-histórica".



O cérebro humano é um mecanismo que precisa da Biologia e da Psicologia para funcionar


Um filósofo é uma instância, muito mais do que um ser. O “penso, logo existo” seria uma consequência dessa objetividade que se esconde na subjetividade. O cérebro humano contém a essência psicológica da nossa existência, pois a consciência é um atributo que nos permite conquistar o mundo, por meio da exploração científica, autoconhecimento e adoração religiosa. Isso tem a ver com a experiência ontológica, que, inevitavelmente, nos guia desde o nascimento, momento em que o conceito de sujeito se forma, até a morte, momento em que o conceito de sujeito se dissolve.


Quando comecei a ler obras filosóficas, nos tempos do Curso de Comunicação Social, na antiga Faculdade São Luís (hoje Faculdade Estácio), não imaginava que a Filosofia fosse um manual sobre quem somos e o que queremos. Eu pensava que era uma disciplina como qualquer outra. O primeiro pensador com quem tive contato foi Arthur Schopenhauer, cujas ideias abriram minha mente para a vastidão do tempo e do espaço. A concepção de mundo como vontade e representação causou um alvoroço intelectual em mim, o que acredito que também aconteceu com Nietzsche acerca dessa sensação.


Nietzsche, para quem não sabe, foi influenciado, em um primeiro momento, por Schopenhauer, mas depois se libertou no campo das ideias. Importante dizer que a Filosofia é a "mãe de todas as ciências", como historicamente é repetido nas diversas culturas espalhadas pelo planeta. Sinceramente, eu acredito nisso. Mas eu vejo que a Matemática, como “linguagem do Universo”, poderia muito bem disputar esse posto, uma vez que a abertura do cérebro para a racionalidade foi causa e efeito de cálculos feitos pelos primeiros hominídeos.



A Matemática pode muito bem disputar com a Filosofia como a "mãe das ciências"


Então, aqui eu deixo minhas felicitações para quem sabe utilizar essa característica inata de maneira consciente, mas nunca ignorando que o “cru” não nos abandonou. Nós somos ainda animais e não podemos esquecer isso. A civilização (“cozido”) nos ilude por conta do progresso tecnológico e moral. No entanto, a nossa origem não está nos livros de História, mas, sim, na nossa mente. Afinal de contas, o filósofo sempre fica em dúvidas entre a razão e o instinto, pois ele tem o desejo e a necessidade em conflito constante em uma instância que ainda não foi totalmente compreendida pelos cientistas e religiosos.

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© 2019 por Nelson Melo.