• Nelson Melo

‘Dia do Psicólogo’: estudantes explicam por que escolheram o curso

“Ele é inteligente porque ‘puxou’ a mim”. Nos lares, os pais e mães, geralmente, reivindicam algumas características positivas dos filhos. Mas esse tipo de pensamento não passa de senso comum. Como mediadora desse debate familiar, uma ciência apresenta seu ponto de vista fundamentado, com ênfase na clínica e na teoria. A Psicologia, protagonista desse bate-papo, contém um mundo interessante em suas conexões. Nesta quinta-feira (27), a comemoração não tem hora para terminar, em virtude do “Dia do Psicólogo”. O prestígio desses profissionais começa lá atrás, no período acadêmico, quando o caminho para o sucesso é encontrado.





Os estudantes que entrevistei para o artigo falaram sobre a paixão pela Psicologia


Quem me conhece, sabe que sou um grande admirador da Psicologia, ciência que tanto me fascina. Não à toa, utilizo o conhecimento dessa área em minha pesquisa sobre o crime organizado no Maranhão. Por esse motivo, tenho respeito total pelos profissionais desse ramo. Então, eu não poderia deixar de homenageá-los em um artigo para o meu site. Se eu não fizesse isso, teria negado a minha própria evolução biopsicossocial, uma vez que sou uma “constante”. A minha mente é moldada pelos acontecimentos que me afetam, direta ou indiretamente. A boa notícia é que existe algo em mim denominado “poder de decisão”, que também é conhecido como “Eu”.


Esse “Eu” pode se impor em conflitos entre a civilização e o instinto. Essa instância tem a aparência de algo abstrato, mas é tangível quando sentimos que fizemos a coisa certa ou que fizemos a coisa errada. Entre o estímulo e a resposta, existe o pensamento, como a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) nos ensina em cada sessão com um paciente que, no campo existencial, não compreende que as crenças errôneas precisam ser reformuladas para o seu próprio bem-estar emocional. A autossabotagem é tão nociva quanto o complexo de inferioridade.


Depoimentos dos estudantes


Eu conversei com alguns estudantes do Curso de Psicologia para esse artigo, como uma forma de prestar minha homenagem neste “Dia do Psicólogo”, uma data que remonta ao ano de 1962, quando o então presidente do Brasil João Goulart sancionou a Lei nº 4.119, que tornou a referida ciência uma profissão. Todavia, importante dizer que isso só aconteceu a partir da mobilização e determinação de diversos profissionais da área na época, que lutaram para que isso se tornasse realidade.




Agnaldo Alles já publicou um livro que utiliza conhecimentos da Psicologia na narrativa


O estudante Agnaldo Alles Quaresma, que está no 7º período na Faculdade Estácio, em São Luís/MA, relatou que a escolha pelo curso ocorreu porque ele está inserido nesse contexto de dores, de alegrias, de sofrimentos e dúvidas. “Olhando bem, tudo isso é muito interessante. Eu vejo que o mundo gira em torno do que é ser humano. As pessoas querem dinheiro porque querem aumentar o ego, querem se sentir mais seguras. Elas querem o amor porque querem se sentir amadas. Então, tudo gira em torno do ‘eu’, no fim das contas”, comentou o acadêmico.


Agnaldo Alles, que já é formado em Comunicação Social, expressou que, observando tudo isso, por gostar de Filosofia desde jovem, estuda a Psicologia com amor, não apenas para entender as pessoas. “A partir do momento em que investigamos essas questões sobre o ser humano, nos sentimos gratificantes em ajudar o próximo. Hoje em dia, o que mais dói não são apenas as dores físicas, como, também, o sofrimento psíquico, que também provoca doenças fisiológicas”, assinalou o estudante da Faculdade Estácio.




Nelma Rejane estuda Psicologia na Faculdade Maurício de Nassau em São Luís/MA


Eu também conversei com Nelma Rejane Campos, estudante de Psicologia do 8º período na Faculdade Maurício de Nassau, em São Luís/MA. Ela começou a entrevista falando sobre os avanços dessa ciência para a compreensão da subjetividade, no que se refere à forma como o ser humano cria sua história. “O papel do psicólogo é utilizar essa ciência para conduzir uma autodescoberta. Essas coisas têm a ver com o mundo interior e o mundo exterior. A Psicologia tem um leque que abrange várias áreas, como Psicologia Escolar, Hospitalar, Social, Psicomotricidade, dentre outras”, ressaltou a jovem.


Nelma Rejane disse que espera ingressar no mercado de trabalho com seriedade, sempre buscando conquistar seu espaço com profissionalismo. “Isso despertou em mim quando eu estudava os processos mentais, incluindo pensamentos e sentimentos, além do comportamento humano”, relembrou a estudante da Faculdade Maurício de Nassau. A Psicologia também é a paixão de Julliana Aragão, que está no 10º período na Faculdade Pitágoras, na capital maranhense.


Pós-graduanda em Neuropsicologia Clínica pelo Instituto Sinapses, Julliana explicou que a paixão pela Psicologia surgiu porque ela era muito envolvida com processos de liderança na igreja evangélica. “Eu tinha que cuidar de muitas pessoas. Nisso, eu me vi sem muitos recursos para essa tarefa. Eu tinha somente o recurso espiritual. Eu comecei a estudar para saber como funcionava. Foi na época em que terminei o Curso de Administração”, recordou Aragão. Então, ela ingressou no Curso de Psicologia, que fascinou a jovem de uma maneira autêntica e surpreendente.




Julliana Aragão foi entrevistada recentemente em uma rádio sobre ansiedade na pandemia


“Eu sou muito realizada enquanto estudante, por ter a oportunidade de poder conhecer mais sobre essa área. É algo que realmente me deixa muito feliz”, enfatizou Julliana Aragão. Ela, Nelma Rejane e Agnaldo Alles têm em comum não apenas a dedicação pela Psicologia, como também o fato de sentirem raiva, se orgulharem do sucesso de um amigo, oferecerem carinho aos familiares, chorarem em momentos de intensa emoção, pedirem perdão quando necessário, dentre outras situações.



Isso faz parte da nossa condição humana. Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro, como frisou Sigmund Freud. A vida é o próprio milagre. Aqui na Terra, ainda bem que existem as psicoterapias, porque, sem esses recursos, o peso da existência poderia provocar a morte definitiva do nosso poder de decisão.

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© 2019 por Nelson Melo.