• Nelson Melo

Enxergar o que não está visível para alcançarmos a vitória

Quando Sun Tzu nasceu, ainda não existiam helicópteros, tanques de guerra, fuzis, granadas, satélites artificiais e internet. As ferramentas de combate eram rudimentares. O corpo a corpo era travado com mais frequência do que na atualidade, que aposta no tiro de precisão e nas táticas de guerrilha para retardar o avanço de tropas. Apesar da grande diferença em relação à tecnologia, a filosofia era uma importante aliada nas batalhas, porque o ser humano valorizava o pensamento como sendo algo concreto e não abstrato. Enxergar o que não está visível, nesse sentido, representa a linha tênue entre a vitória e a derrota. As ideias são essenciais em um contexto de competitividade.

Um atirador de elite é treinado para observar detalhes que não são visíveis apressadamente

A célebre produção literária “A Arte da Guerra” venceu as barreiras do tempo cronológico, que representa uma dimensão finita, e adentrou no campo do “tempo kairológico”, que representa uma dimensão infinita. Os ensinamentos contidos naquela obra funcionam em qualquer cenário, mas para que isso aconteça é necessário que as pessoas saibam interpretar cada lição sem emoção exacerbada. A razão deve ser priorizada em prol da glória, que é o momento mais eufórico de uma etapa na vida. Respirar o vento do sucesso só é possível quando o sentido metafórico é ignorado para a concretização do êxito.

O general Sun Tzu advertiu que não é preciso termos olhos abertos para vermos o Sol. Ademais, não precisamos de ouvidos afiados para ouvirmos o trovão. Essa capacidade é normal e previsível. Não há nada especial nisso. Em uma guerra, dezenas ou milhares de vidas podem ser mantidas quando conseguimos perceber um detalhe crucial para a subida de degraus. Os pormenores são relevantes, embora sejam desprezados. Uma batalha pode acabar em instantes se os combatentes atuarem como estrategistas durante a movimentação no terreno.

Um detalhe provocou uma reviravolta durante a mítica e arquetípica "Guerra de Troia"

Quando falo em guerra, não estou me referindo apenas a conflitos entre nações. Nas famílias, ocorrem batalhas, assim como nas escolas, nas universidades, nas empresas, nas instituições públicas, nas comunidades, enfim. Estamos vulneráveis a situações cotidianas que nos deixam perplexos em virtude da forma e conteúdo. Somos sobreviventes na “selva civilizada”. Passamos a vida inteira tomando decisões. E as opções nem sempre são viáveis. Então, a única alternativa é escolher. Cada caminho trilhado gera uma consequência. Se pararmos em um campo minado, as cortinas se fecharão com a frase “the end”. Isso também acontecerá se atravessarmos a mata fechada repleta de atiradores de elite.

Observar os detalhes

Nota-se a importância de observarmos os detalhes. Não é enxergar o ambiente de maneira macro, mas sim de maneira micro. É analisar cada alternativa de fuga ou avanço no terreno sempre pensando individualmente e coletivamente. Entrar de peito aberto no território do inimigo é suicídio. O barulho do vento nas folhas das árvores nem sempre indica a presença de um espião. De repente, do meio da vegetação pode aparecer um javali correndo da morte. Girar o olho em 360º produz resultados amplos. A linha de defesa não pode ser ultrapassada assim com tanta facilidade pelos forasteiros.


Detectar um sapo nesta imagem não é tarefa fácil quando o observador é impaciente

O inimigo dorme com um olho aberto e outro fechado, enquanto estamos na fase REM do sono. Quando estamos desprevenidos, somos presas fáceis. Por outro lado, quem está do outro lado pode ter dormido mal, o que é um excelente fator para ser explorado, a fim de conseguirmos uma vantagem. A vitória sempre está em nossas mãos, assim como a derrota. A vida é esse conflito permanente entre respirar normalmente e sentir falta de ar. Se o pulmão estiver em condições debilitadas, não conseguiremos correr e, consequentemente, seremos abatidos. O perigo é tão provável quanto a morte. A sobrevivência depende da nossa disposição para alcançarmos o topo da montanha sem termos medo da escalada.

A "Arte da Guerra" é uma filosofia de vida que superou a barreira do tempo e da mente


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© 2019 por Nelson Melo.