• Nelson Melo

Estagiárias se destacam em matéria sobre saga de asiáticos no Maranhão

Chris Gardner, como sabemos, durante muito tempo, dormiu no banheiro de uma estação de metrô juntamente com seu filho pequeno, nos EUA. Depois de bater em muitas portas, tornou-se corretor e abriu sua própria empresa, mas, antes, foi contratado em um programa de estágio. A história do empresário foi contada no filme “À procura da felicidade”, com Will Smith. Ele soube aproveitar as oportunidades, assim como Kethlen Mata e Bárbara Lauria, estagiárias do Jornal O Estado, do Grupo Mirante, em São Luís/MA. As duas receberam muitos elogios após a publicação de uma matéria conjunta sobre a saga dos asiáticos no Maranhão.


Bárbara e Kethlen fizeram a "operação conjunta" na "Especial" (Foto: Eduardo Lindoso)


A matéria, classificada como “Especial”, que é produzida semanalmente pelo competente jornalista Thiago Bastos, saiu na edição do último fim de semana (29 e 30 de agosto). De imediato, ganhou logo repercussão. Entre os profissionais da imprensa que atuam no Maranhão, partiram muitos elogios. Evidentemente, isso aumenta a autoestima das estagiárias, que não ficaram nervosas quando aceitaram o desafio. Porém, o mais importante é que demonstra a capacidade de ambas na profissão. É aquela história muito comentada no cotidiano: não me pergunte se sou capaz, apenas me dê a missão. Bem, a missão foi cumprida com êxito. Agora, podem planejar outra, que, com certeza, será executada com dedicação, zelo e maturidade.



A matéria de Kethlen Mata explorou muito bem o tema por meio de uma escrita envolvente

A primeira matéria, feita por Kethlen, teve como título “Pelos mares: chineses e japoneses no Maranhão”. Logo no lide, ela já demonstra habilidade em um estilo de escrita que provoca o leitor, de tal modo que o “prende” ao parágrafo seguinte. “Para começar a contar a história de algumas dessas famílias que vieram para a ilha há mais tempo do que se imagina, é preciso antes entender o porquê de elas terem saído de tão longe para firmar raízes no Maranhão”, comenta a estagiária no texto, que foi elaborado com base na pesquisa de Ramssés de Souza Silva, autor do livro “Passado e presente do ‘antigomobilismo’ em São Luís”, que conta a história do automobilismo na capital maranhense.


A estagiária Ketlhen Mata está demonstrando maturidade ao aceitar desafios no jornal

Na matéria, ela menciona que a história dos chineses no Maranhão, assim como a dos japoneses, também é antiga, pois estariam aqui desde o século XIX, segundo o pesquisador Ramssés Silva.

Manifestações culturais chinesas e japonesas

A “Matéria Especial” tem continuidade com Bárbara Lauria, que aborda as manifestações culturais chinesas e japonesas no Brasil. Ela começa o texto dizendo que, apesar dos milhares de quilômetros de distância, clima e cultura diferentes, as famílias asiáticas que atravessaram oceanos, em busca de melhores oportunidades, encontraram formas de manifestar seus hábitos e passar um pouco deles para a população brasileira. A estagiária elenca, por exemplo, as festas, as gincanas e o origami.

“Como muitos estrangeiros passaram por algumas dificuldades na adaptação em novas terras, principalmente pela grande diferença na língua e na cultura, tanto japoneses quanto chineses formaram comunidades pelo país, para que, além de tornar o processo de adaptação menos difícil e solitário, pudesse ser realizada uma troca de culturas e manifestações de tradições, mesmo longe de casa”, observa a jovem na matéria. Lauria prossegue afirmando que no Maranhão não foi diferente, tanto que as famílias inauguraram a “Associação Nipo-Brasileira Maranhense”, que é reconhecida pelo consulado japonês no Brasil.

O interessante é que muito tempo depois, no século XXI, duas maranhenses estão inaugurando um novo jeito de “fazer jornalismo” com base no esforço e na competência, colocando a “mão na massa” com os recursos disponíveis. “Deu trabalho, com certeza, mas valeu a pena”, resumiu Kethlen. Eu acrescentaria que ambas saíram satisfeitas porque suas almas não são pequenas, como disse Fernando Pessoa em “Mar Português”. Lauria e Mata não usam heterônimos, diferentemente do poeta, que assinava seus textos como sendo Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Ricardo Reis, dentre outros.



A estagiária Bárbara Lauria deu prosseguimento ao tema e demonstrou habilidade textual

Em “Passagem das Horas”, Álvaro de Campos observa o seguinte: “Multipliquei-me, para me sentir/ Para me sentir, precisei sentir tudo/ Transbordei, não fiz senão extravasar-me/ Despi-me, entreguei-me/ E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente”. Para produzir a “Especial”, Kethlen e Bárbara também se multiplicaram e agora estão em processo de autorrealização, assim como o heterônimo de Fernando Pessoa. Elas transbordaram de alegria e se entregaram ao mundo para compreendê-lo e modificá-lo a partir dos pensamentos e atitudes.



Bárbara Lauria se sentiu autorrealizada e já pode ser considerada "CEO da felicidade"

O Jornalismo possibilita isso: conhecer a vida a partir do autoconhecimento. Assim como Crhis Gardner, de quem falei no início do artigo, Kethlen Mata e Bárbara Lauria são, oficialmente, “CEOs da felicidade”.

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