• Nelson Melo

Estudante de Psicologia fala sobre desamparo mental intensificado pela pandemia

Em uma época na qual a Covid-19 era, talvez, apenas uma ideia no “Mundo Inteligível”, o filósofo Parmênides de Eleia (cerca de 530 a 460 a.C.) disse que o que existe é o ser, pois o não-ser não é. Hoje, não queremos ser o que somos, sendo que tudo isso está sendo causado pela pandemia do novo coronavírus. Por quê? Ora, porque as pessoas estão se sentindo desamparadas fisicamente e mentalmente diante de um cenário incerto acerca do futuro. Sobre esse assunto, a estudante de Psicologia maranhense Julliana Aragão concedeu uma entrevista ao meu site.


Julliana Aragão é pós-graduanda em Neuropsicologia Clínica pelo Instituto Sinapses

Natural de São Luís/MA, Julliana, que recentemente foi entrevistada na Rádio Ilha do Amor FM (no programa “Fala Comunidade”), revelou que a pandemia trouxe incertezas nas mais diversas ordens, englobando a vida, questões financeiras e familiares. Pós-graduanda em Neuropsicologia Clínica pelo Instituto Sinapses, Aragão declarou que o sentimento mais comum que está sendo manifestado nesse contexto tenso é o medo, que está provocando mudanças significativas na vida das pessoas, em praticamente todas as situações cotidianas.

“Observamos maior índice de conflitos familiares, agressões verbais e físicas, abusos, além de ansiedade e sintomas depressivos, que estão sendo atribuídos à novidade catastrófica que a pandemia nos inseriu, deixando-nos desamparados no que tange à saúde física e mental”, assinalou Julliana Aragão, que está no 10º período de Psicologia na Faculdade Pitágoras. A jovem destacou que estamos, aparentemente, sem qualquer tipo de suporte, sendo que cada pessoa precisou encontrar dentro de si as forças para se refazer. No campo psicológico, explicou ela, há um acúmulo de angústia causada por um “inimigo invisível”, o que nos deixa de mãos atadas diante dos desafios.

A pandemia está provocando desamparo mental (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A estudante de Psicologia observou que há uma intensidade no que se refere às manifestações emocionais, como estresse e ansiedade. “Vale ressaltar que essas situações psicológicas já eram esperadas, sendo consideradas até normais, tendo em vista todo esse contexto pandêmico, de isolamento social, que estamos vivenciando. Para além de contrair a doença, que por si só é um desafio, notamos o medo que as pessoas tiveram e ainda têm ao imaginar que passaram o vírus para familiares e amigos”, enfatizou Julliana Aragão.

Desacelerar para reconquistar

De acordo com a entrevistada, se há algo que a pandemia evidenciou um pouco foi a certeza de que precisávamos desacelerar, para darmos mais valor às coisas que o dinheiro não compra. Nessa lista, incluem-se a saúde mental, obviamente, e valorização de quem amamos. “Afinal de contas, poucos de nós conseguimos realizar nossas atividades de forma excelente quando estamos com algum problema psicológico. Esperamos que a sociedade coloque como prioridade o valor de um abraço, a presença de quem amamos e a possibilidade de deitarmos no travesseiro e dormirmos tranquilamente”, ressaltou Aragão.

Todavia, ela advertiu que, sem sombra de dúvidas, haverá pessoas que retornarão dessa pandemia apresentando comportamentos destrutivos, como a avareza e o egoísmo. Mas, de maneira geral, espera-se que a sociedade esteja mais empática, segundo a universitária. O objetivo dessa transformação positiva é olharmos o outro com mais amor e carinho, sempre compreendendo que somente esses sentimentos podem sustentar as relações humanas no nível mais básico dos afetos.

As pessoas podem resgatar valores básicos afetivos durante a pandemia da Covid-19

Manutenção da saúde mental

Outro ponto mencionado pela entrevistada é a questão dos desdobramentos da manutenção da saúde mental, uma vez que a pandemia está gerando uma angústia grande, que possibilitou esse pensamento. “Se por um lado sentir ansiedade durante esse momento foi considerado normal, todos nós, em maior ou menor grau, sentiremos. Há o pensamento do medo da morte, medo de perder um familiar ou algum amigo, o que resultou em uma sensação de impotência misturada com a perda de liberdade”, comentou Julliana.

Segundo a estudante de Psicologia, o ser humano está aflito, impaciente e estressado. Como válvula de escape, podemos realizar tarefas com as quais temos afinidade e que nos proporcionam prazer, como yoga, meditação e exercícios físicos, além de desenvolvermos a espiritualidade e planejarmos atividades, estabelecendo planos válidos para a vida. “Na abordagem emocional, temos que acolher nossas emoções, sempre entendendo que tudo isso vai passar, evitando, também, noticiários que falem somente desse tema da pandemia, assim como evitar suposições demasiadas sobre o futuro”, esclareceu a universitária.

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© 2019 por Nelson Melo.