• Nelson Melo

Exemplo de superação: Luiz Thadeu completa 62 anos com incrível marca de 143 países visitados

Em 2003, ocorreu um acidente de trânsito no interior do Rio Grande do Norte. O motorista do táxi perdeu o controle da direção após atender ao celular. O carro foi jogado para um lado da pista. O passageiro sofreu uma fratura exposta no fêmur. Mas ele deu a volta por cima e, mesmo com mobilidade reduzida, tornou-se o sul-americano, dentro dessas condições anatômicas limitadas, que mais viajou no mundo. Isso que acabei de escrever não é o trecho de um romance. Trata-se da história real do maranhense Luiz Thadeu Nunes e Silva, que, nesta segunda-feira (7), está completando 62 anos. Sua vida é um exemplo de superação, indiscutivelmente.




Luiz Thadeu é considerado um "globetrotter" que deu a volta por cima apesar das limitações




“Tinha tudo para não dar certo. Depois do meu acidente, eu passei muito tempo sem andar. Eu não tinha segurança para atravessar uma rua em São Luís. E de repente eu comecei a viajar pelo exterior. No início, com medo, um pouco inseguro, e depois eu fui conquistando, e a cada conquista eu dobrei a meta”, expressou o engenheiro agrônomo Luiz Thadeu em entrevista concedida ao meu site. Segundo ele, não houve um planejamento inicial, sendo que tudo começou com 20 países. Esse número aumentou para 40, até alcançar a incrível marca de 143 países visitados pelo “wanderlust”, termo alemão que se refere às pessoas que adoram viajar, conhecer novos lugares e interagir com outras culturas.




“E veja bem: uma pessoa que não puxa mala, não fala inglês (tem a limitação da língua), não tem nenhum medo de sair da nossa Ilha de São Luís do Maranhão sozinho e ir para qualquer lugar da Terra. Então, hoje eu digo que não existe um só lugar no mundo que eu não vá. Se o avião vai, e o meu dinheiro permite, lá eu irei”, comentou Thadeu. Ele explicou que, em 2020, está parado em suas viagens em decorrência da pandemia da Covid-19. A última viagem realizada pelo maranhense ocorreu em fevereiro deste ano, sendo que as fronteiras dos países estavam fechadas assim que ele retornou à capital maranhense no começo de março por conta do novo coronavírus.





O agrônomo já visitou 143 países e não pretende parar enquanto estiver respirando





"São Luís é o meu mundo"




Como assinalou o engenheiro agrônomo, São Luís é o mundo dele, é a sua casa, por assim dizer. “O mundo é o meu quintal. Eu viajo o mundo todo, mas meus olhos são voltados para nossas belezas, para as nossas particularidades. Eu gosto dessa cidade, eu amo essa cidade, eu gosto das pessoas, gosto da gastronomia dessa cidade. Foi aqui que eu nasci, fui criado, fui educado, que constituí família, que trabalhei, e onde tenho minha raízes. Então, é muito importante. Não é porque eu conheço o Japão, a Inglaterra, os EUA, que tenho que ficar comparando com São Luís. Não, isso não existe. Cada lugar tem suas belezas. Basta você educar os seus olhos para aquilo. E eu olho São Luís com olhos de turista”, pontuou o entrevistado.




Thadeu, inclusive, tem o hábito de fotografar São Luís todo final de tarde, o que comprova o seu encantamento pela cidade. Convém ressaltar que o “Marco Polo moderno”, como é conhecido, está escrevendo um livro para mostrar que, aos 62 anos, quando a maioria das pessoas, geralmente, não têm mais planos de vida, vários objetivos e sonhos ainda podem, sim, ser realizados. “Eu estou cheio de planos. Eu dou palestras sobre isso. Antes dessa pandemia do novo coronavírus, já estávamos vivendo uma pandemia de depressão, de ansiedade. As pessoas, quando não têm onde se segurar, elas não veem a beleza do local, do momento em que vivem”, enfatizou o maranhense.





Não há um lugar no mundo que Luiz Thadeu não conheça com sua força de vontade





Palestra no "Setembro Amarelo"




Inclusive, durante o “Setembro Amarelo” deste ano, o 24º Batalhão de Infantaria de Selva (24º BIS), sediado em São Luís/MA, realizou um ciclo de palestras sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida. Nesse período, o engenheiro agrônomo Luiz Thadeu palestrou sobre superação. O evento ocorreu no Salão Principal da Igreja Universal do Reino de Deus, na Rua Grande (Rua Oswaldo Cruz), Canto da Fabril, nas proximidades da Faculdade Estácio. Houve a participação de mais de 1 mil pessoas convidadas, incluindo integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, que constituem as Forças Armadas. Ele discorreu sobre sua experiência e a volta por cima após quatro anos sem andar e ter passado por 43 cirurgias. Em outras palavras, o "wanderlust" se reinventou.




Em outubro de 2019, aliás, foi lançado um selo dos Correios, no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís/MA, em homenagem ao maranhense. Em janeiro do mesmo ano, ele já havia recebido uma placa celebrativa no mesmo local, quando completou 130 países visitados.




A volta por cima de Luiz Thadeu





A história do “Marco Polo moderno” começou, no se refere à sua vida como “wanderlust”, em 2009, quando foi à Europa, ao encontro do filho, que estudava inglês em um intercâmbio. Naquela ocasião, Luiz Thadeu viajou com ele para oito países, sendo sete europeus e um africano, que é o Marrocos. Antes dessa saga, no entanto, o engenheiro agrônomo permaneceu durante quatro anos no Maranhão, em virtude de tratamento e cirurgias concernentes ao acidente de trânsito.




Da queda, o engenheiro agrônomo se levantou mais forte e, desde então, pode ser comparado ao mercador veneziano Marco Polo, que passou 24 anos viajando pelo mundo, enfrentando muitas adversidades, entre os séculos XIII e XIV. “Se minha perna está doendo, ela vai doer aqui, ela vai doer na Rússia, em Hong Kong, no Nepal, ou seja, no mundo, onde eu estiver. Isso não impede que eu viaje pelo mundo. Então, eu consegui transpor as minhas limitações. Não tenho deficiências. Eu não as encaro como deficiências, mas como desafios", disse Luiz Thadeu.



"A minha matéria-prima são os sonhos. Eu sonho muito”, prosseguiu o "globetrotter" Luiz Thadeu, que nos ensina que, se a vida não ficar mais fácil, então trate de ficar mais forte.




Thadeu disse que sua matéria-prima são os sonhos e que encara as limitações como desafios


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© 2019 por Nelson Melo.