• Nelson Melo

Fazer pesquisa é um processo similar ao de fazer barra fixa

Atualizado: Jan 14

Eu sou jornalista, mas, fora do ambiente de trabalho, faço inúmeras atividades, dentre as quais os exercícios físicos. Atualmente, estou correndo 17 km. As minhas corridas são feitas em pontos diversos da região metropolitana de São Luís. Também faço calistenia, que significa utilizar o próprio peso do corpo para ganhar força, resistência e massa muscular. O interessante é que o processo de fazer barra fixa é similar ao de fazer pesquisa, uma vez que etapas precisam ser respeitadas, em prol de um objetivo maior.



Quando eu estava cobrindo um homicídio que aconteceu na Vila do Povo (Paço do Lumiar)


A barra fixa (Pull up) é uma das modalidades da calistenia, assim como os abdominais, agachamentos, barras paralelas, flexões de braço (apoio) e outros movimentos. Atualmente, estou fazendo 15 barras fixas na pegada supinada (mãos viradas para dentro) e 12 na pegada pronada (mãos viradas para fora). Importante destacar que eu realizo isso na forma strict, que se diferencia da forma kipping pelo fato de que o praticante não balança o corpo no instante da execução do deslocamento calistênico. Ou seja, não acontece o impulso.


Há pessoas, como sempre vejo na região do Castelinho, Litorânea, Parque do Rangedor e outros locais por onde faço calistenia, que não conseguem finalizar uma barra fixa sequer. Por quê? Um dos motivos é que não respeitam a progressão. Para executarmos o movimento, precisamos, antes, seguirmos etapas, dentre as quais a remada australiana. Na pesquisa de área criminal, como em qualquer outra, também existem fases de apuração. Não adianta pularmos etapas, pois o resultado será um desastre em todos os sentidos.


Uma das etapas é o levantamento de dados, que serão transformados em informações depois. É algo parecido com o que acontece no jornalismo, no qual um fato é adaptado para uma notícia. Da atividade em campo, o pesquisador reúne o que colheu nas ruas e analisa cada detalhe. Eu sempre encontro padrões de comportamento, que na linguagem da Psicologia Analítica e da Mitologia são conhecidos como arquétipos (condutas universais que se repetem a cada geração, apesar das diferenças entre as culturas).


Leonardo da Vinci, expoente pintor italiano do Renascimento, tinha o hábito de observar, por várias horas, formas nas paredes de qualquer imóvel. Ele detectava, por exemplo, “pessoas”, “animais”, “anjos” e “objetos” nos muros. Como eu também sou desenhista, aprendi com o mestre essa técnica. É muito interessante, pois desenvolvemos nossa percepção sobre a realidade. Isto significa que os sentidos ficam aguçados, até mesmo em situação de perigo, momento no qual o meu cérebro já me avisa sobre a hora para fugir de uma circunstância que poderia colocar minha vida em risco.


O pesquisador deve buscar sempre o seu aprimoramento profissional. E ter em mente que nem tudo pode ser divulgado. As informações precisam ser filtradas, mas nunca distorcidas. Em cima da barra, eu vejo como o mundo é “selvagem”. Mas, quando desço, sinto que faço parte dessa realidade, onde o “estado paralelo”, cada vez mais, está derrubando o “Leviatã”.

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© 2019 por Nelson Melo.