• Nelson Melo

GSA: os mestres dos levantamentos que sabem utilizar o terreno

Durante cinco anos trabalhando no jornalismo policial, estabeleci muitos contatos em todas as polícias que atuam no Estado do Maranhão, sobretudo na Civil e Militar. Construí grandes amizades profissionais. Edmond Locard, famoso na Criminalística, disse que todo contato deixa vestígio. Já eu digo que todo contato deixa notícia. A PMMA possui um grande recurso, um elemento surpresa, que é “invisível” em partes: o Grupo de Serviço Avançado (GSA), conhecido na boca da sociedade apenas como “velado”. Esses militares conhecem como ninguém o terreno, onde aprendem a sobreviver.





Mário Quintana disse que a maior dor do vento é não ser colorido. Esses militares do GSA são como o vento, pois suas ações são sentidas, mas pouco se sabe sobre suas identidades. Eles existem e não existem ao mesmo tempo. Estão aqui e ali. Essa dualidade é importante para que os levantamentos sejam feitos com o máximo de cuidado possível. De forma habilidosa, cada membro da equipe se camufla nos ambientes, como um camaleão, embora as suas peles não possuam células chamadas de cromatóforos. O “mimetismo” do “velado” não serve apenas para a segurança, como também para obter dados.


Hoje, o GSA está subordinado à Diretoria de Inteligência e Assuntos Estratégicos (DIAE), mas, antes, era vinculado aos batalhões de cada área. Segundo um policial entrevistado por mim para esse artigo, a prioridade do Serviço Velado é o levantamento de dados. Apesar disso, o grupo ainda realiza muitas prisões. “A ideia de criar o GSA justamente foi essa. Na época do coronel Melo, o antigo ‘velado’ foi levado para a 2ª Seção. Tinha o pessoal que fazia o serviço de Inteligência da PMMA e tinha o ‘velado’, que combatia de frente a criminalidade”, explicou a fonte.





Levantamentos de prevenção


Depois, mudaram a nomenclatura, pois surgiu o GSA. De acordo com o policial, o princípio utilizado pela equipe é o da “Oportunidade”, que significa intervir nos casos. “Então, se tem uma ação criminosa, e nos deparamos com ela, o cidadão comum pode, mas nós devemos prender em flagrante”, pontuou o entrevistado. Ele deixou claro que o Serviço Velado não investiga, pois essa competência é da Polícia Civil. Na verdade, faz levantamentos.


“Investigação é muito mais complexa. Requer intimar pessoas, coletar provas, dentre outras coisas. Os levantamentos do GSA são referentes a um acontecimento, que podem levar a uma situação de flagrante ou que já caracteriza um flagrante”, esclareceu a fonte. Ainda segundo o contato, o Serviço Velado é previsto nas legislações militares. Na prática, é o policial que trabalha sem farda, que atua no sentido de colher o máximo de dados sobre um evento.


Esses levantamentos, conforme a fonte, são de prevenção, por meio do mapeamento de áreas e identificação de ações criminosas para o emprego da tropa ostensiva. “O Serviço Velado só prende em flagrante ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade competente”, assinalou o policial. Com relação às facções criminosas, esses militares não precisam da “cartografia” do crime organizado no papel, pois a imagem já fica na memória.


Em cada bairro da região metropolitana de São Luís, os policiais do GSA conhecem ruas e avenidas, além da localização das “bocas de fumo”. Em áreas de vegetação, eles se locomovem como os “homens-rãs”, que integram a Tropa de Elite da Marinha Real da Dinamarca e cuja especialidade é o reconhecimento do terreno. Em outras cidades do Maranhão, o “velado” também atua com o mesmo propósito.


Em “The Walking Dead”, o personagem Dante, que era membro dos “Sussurradores”, se infiltrou no território inimigo para coletar informações e fazer o reconhecimento do terreno. Apenas com o “olhômetro” e o "gogó", apurou o modo de vida, segurança, estoque de comida, quantidade de armas e outros itens na comunidade “Alexandria”. Como era discreto, ninguém desconfiou de que era um espião. Um policial disfarçado atua dessa forma, pois, se chamar a atenção, o trabalho de levantamento cairá por terra.


Na guerra, conhecimento é fundamental. Fazer operação sem as informações corretas em mãos é o mesmo que procurar Dragão de Komodo na Amazônia Legal maranhense. Nessa situação, o GSA, com certeza, iria tentar localizar o réptil nas ilhas do Pacífico.

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© 2019 por Nelson Melo.