• Nelson Melo

Maranhense que já visitou 143 países palestrará sobre superação

O “Setembro Amarelo”, como é amplamente divulgado, caracteriza-se pela realização de caminhadas, conferências e outras ações de conscientização sobre o suicídio. Trata-se de uma campanha efetuada no Brasil desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Dentro desse contexto de reflexão, o 24º Batalhão de Infantaria de Selva (24º BIS), sediado em São Luís/MA, está realizando um ciclo de palestras sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida. Amanhã (22), o engenheiro agrônomo Luiz Thadeu Nunes e Silva, de 61 anos, palestrará sobre superação. Ele é o brasileiro com mobilidade reduzida que mais viajou no mundo.

Thadeu se superou e já visitou 143 países em todos os continentes (Foto: Arquivo Pessoal)

A palestra, de acordo com informações de Luiz Thadeu, será realizada no Salão Principal da Igreja Universal do Reino de Deus, na Rua Grande (Rua Oswaldo Cruz), Canto da Fabril, nas proximidades da Faculdade Estácio. O evento será iniciado por volta das 13h, sendo que terá a presença de pelo menos 1 mil pessoas convidadas, incluindo integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, que constituem as Forças Armadas. Primeiramente, um general, de nome Luiz Henrique Moura Barreto, discursará, em teor motivacional, sobre a felicidade, tema que está evidentemente relacionado à valorização da vida. O oficial realizará o ato diretamente de Brasília, no Distrito Federal.

Em seguida, será a vez de Luiz Thadeu, conhecido como “Marco Polo moderno”, iniciar sua palestra. “Falarei sobre minha experiência e minha vida de superação após quatro anos sem andar e ter passado por 43 cirurgias. Eu me reinventei e comecei a andar pelo mundo, superando minhas limitações físicas. Hoje, sou o brasileiro mais viajado do mundo com mobilidade reduzida”, frisou o engenheiro agrônomo, considerado um “wanderlust”, termo alemão que se refere às pessoas que adoram viajar, conhecer novos lugares e interagir com outras culturas.



O "Marco Polo moderno" conhece como ninguém o planeta Terra (Foto: Arquivo Pessoal)

Exemplo de superação

A vida de Thadeu é um exemplo de superação para brasileiros, argentinos, cubanos, franceses, italianos, australianos, egípcios e assim sucessivamente. Por onde passou, deixou saudades e um pouco de sua experiência. O “Marco Polo moderno” não se entregou ao sofrimento e ganhou o mundo, literalmente. Em outubro de 2019, inclusive, foi lançado um selo dos Correios, no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís/MA, em homenagem ao maranhense, que possui mobilidade reduzida em decorrência de um acidente de trânsito que sofreu em 2003. Em janeiro do mesmo ano, ele já havia recebido uma placa celebrativa no mesmo local, quando completou 130 países visitados.

Thadeu está no topo do mundo porque não se entregou ao sofrimento (Foto: Arquivo Pessoal)

A história do “Marco Polo moderno” começou, no se refere à sua vida como “wanderlust”, em 2009, quando foi à Europa, ao encontro do filho, que estudava inglês em um intercâmbio. Naquela ocasião, Luiz Thadeu viajou com ele em oito países, sendo sete europeus e um africano, que é o Marrocos. Antes dessa saga, no entanto, o engenheiro agrônomo permaneceu durante quatro anos no Maranhão, em virtude de tratamento e cirurgias concernentes ao acidente de trânsito.


Selo dos Correios que foi confeccionado em homenagem a Thadeu no Aeroporto de São Luís


“Esse acidente aconteceu no interior do Rio Grande do Norte, em 2003. Eu estava dentro de um táxi. O motorista perdeu o controle da direção depois que atendeu ao celular enquanto dirigia. Ele jogou o carro para o meu lado. Sofri fratura exposta no fêmur”, relembrou Luiz Thadeu em uma entrevista que me concedeu quando eu trabalhava no Jornal O Estado, em 2019. Como resultado disso, adquiriu uma infecção óssea. Durante quatro anos, não caminhou e foi submetido a 43 cirurgias. O tratamento na perna foi intenso.


Por onde passa Luiz Thadeu conquista as pessoas devido à sua alegria (Foto: Arquivo Pessoal)


Da queda, o engenheiro agrônomo se levantou mais forte e, desde então, pode ser comparado ao mercador veneziano Marco Polo, que passou 24 anos viajando pelo mundo, enfrentando muitas adversidades, entre os séculos XIII e XIV. Luiz Thadeu é o exemplo de ser humano que vislumbra uma luz no fim do túnel em qualquer situação, não importando se o copo está vazio ou preenchido. Para ele, as barreiras não são intransponíveis, sendo percebidas como muros transparentes que dão acesso definitivo à felicidade.


Entrevistei o viajante Luiz Thadeu no ano passado quando eu era repórter do Jornal O Estado

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© 2019 por Nelson Melo.