• Nelson Melo

Motorista do Grupo Mirante escreve poema em homenagem a São Luís

A história de São Luís/MA é repleta de encontros e desencontros. Isso é verdade tanto na literatura como no cotidiano. Mas o passado está interligado ao presente e ao futuro, uma vez que essas instâncias são cronológicas e, também, psicológicas, dependendo de como percebemos as vitórias e as derrotas na vida. A capital maranhense, no próximo dia 8 de setembro, completará 408 anos. Nota-se que a “Upaon-Açu” já tem a maturidade suficiente para nunca ficar obsoleta. Como uma forma de homenagear a cidade, Luiz Carlos Almeida Silva, que trabalha como motorista no Grupo Mirante há mais de 20 anos, escreveu um belo poema.


O poeta Luiz Silva fez um belo poema para homenagear a cidade que ele tanto admira

Luiz Silva disse que escreveu o poema na sexta-feira passada, quando estava inspirado para, de alguma forma, demonstrar sua admiração pela cidade, cujo marco zero está na Praça Pedro 2, no Centro Histórico, conforme o turismólogo e pesquisador Antonio Noberto, membro fundador da Academia Ludovicense de Letras (ALL), frisou recentemente em uma live que fez juntamente com o músico Sérgio Soares. Aquele momento foi muito interessante porque Noberto estava na capital maranhense, enquanto Soares estava em Paris, na França.

A live, inclusive, começou na região central de Paris, exatamente no ponto onde foi concebida a “Upaon-Açu”, cujo processo foi materializado no quadro “São Luís antes da fundação”, pintado pelo artista plástico Antonio Povoas a pedido do pesquisador Noberto. Essa cidade, com suas riquezas culturais, é cantada pelo motorista Luiz Silva, que, nas horas livres, escreve poemas sobre vários assuntos. Na verdade, ele já faz esse processo mesmo quando não está com a caneta na mão, pois seu cérebro já está “configurado” para a literatura, o que poderíamos considerar como algo inato ou instintivo do ponto de vista linguístico.



Luiz Silva trabalha no Grupo Mirante há mais de 20 anos e escreve poemas nas horas livres


Essa habilidade poética de Silva deixa os demais funcionários do Grupo Mirante impressionados, assim como seus vizinhos no bairro onde mora. Quando eu trabalhei no Jornal O Estado, durante quase um ano, acompanhei alguns momentos de inspiração de Luiz. Às vezes, ele me pedia para ler o texto, o que, para mim, era uma honra. Espero que, em breve, o meu amigo possa publicar um livro com seus poemas, para mostrar ao público sua intelectualidade literária. Tenho certeza de que a obra será um sucesso no Maranhão e fora do estado.

Em outro poema que fez em homenagem a São Luís, Silva comenta que a cidade, com seus belos casarões, atrai olhares do mundo inteiro e desperta uma infinidade de emoções. Bem, eu afirmo que os textos de Luiz também promovem esses efeitos no campo afetivo e ontológico, pois, quando são lidos, provocam um sentimento de paz, de quietude, de tranquilidade, de sossego, de harmonia. Resumindo, provocam a sensação de ausência de conflitos, algo que a Arte, de maneira geral, sempre manifesta na intimidade do ser humano.

A ideia sempre prevalece quando estamos dominados pela contemplação, porque corpo e alma estão interligados pela linguagem. A poesia é tão real quanto o poeta. O mundo é a nossa inspiração para escrevermos sobre o bem e o mal sem medo de sermos felizes.

O poeta Luiz Silva costuma publicar fotos de São Luís em suas redes sociais fazendo elogios

O poema na íntegra

São Luís, sempre bela


Eita, pequena!

Veja só que lugar mais belo,

O céu daqui tem mais azul,

E o pôr do sol é deslumbrante,

E tem um tom diferente de amarelo.


Existe uma certa magia no ar,

Terra de um povo que vive feliz a cantar,

Tem tambor de crioula e o bumba meu boi,

Que contagia e faz todo mundo balançar,

E o reggae, que se dança agarradinho,

Bem coladinho e é gostoso pra danar.


Tem uma culinária saborosa,

Que atrai pelo aroma e dispensa paladar,

Duvido você resistir a um bom peixe frito,

Com torta de camarão e arroz de cuxá,

E o caranguejo com arroz de toucinho.

É pra comer com as mãos, se lambuzar.


Tem praias belas e mulheres lindas,

Que até parecem sereias,

Pela imensa orla a desfilar,

Quem visita nossa ilha fica encantado,

E parte já pensando logo em voltar.


Dona de uma diversidade cultural,

Que não existe em nenhum outro local.

E sua arquitetura com ruas de pedras,

Tornou-se Patrimônio Histórico e Cultural,

Um imenso Tesouro Nacional.


E aí moleque, fala sério!

O que mais eu posso contar?

Sou filho dessa terra e adoro meu lugar,

Olha pequeno, juro pra você,

Lugar mais lindo não há.

Luiz Carlos Almeida Silva

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© 2019 por Nelson Melo.