• Nelson Melo

Novos talentos no cinema maranhense são citados por professor universitário

Atualizado: Set 3

O cinema, de maneira mais abrangente, teve sua “origem arquetípica” muito antes do nascimento dos irmãos franceses Lumière, de Léon Bouly e de William Dickson. Na pintura rupestre, por exemplo, podemos notar o movimento nas imagens. Mas, nas cavernas do período Paleolítico Superior, ninguém ficava em fileiras para comprar um ingresso. De lá para cá, a “Sétima Arte” se desenvolveu, o que possibilitou a adesão de muitas pessoas interessadas no tema, como é o caso do professor João Paulo Furtado. Docente da Universidade Ceuma, em São Luís/MA, ele concedeu uma entrevista ao meu site para falar sobre os novos talentos do cinema no Maranhão.




O professor João Paulo Furtado trabalha na Universidade Ceuma e também no Imec


Especialista em Cinema e Linguagem Audiovisual e professor do Instituto Maranhense de Ensino e Cultura (Imec), João Paulo mencionou que existe uma nova geração no Maranhão que está produzindo bastante nos últimos 10 anos. Esses profissionais, como o docente ressaltou, possuem muita qualificação técnica, com muitos estudos, ainda mais em um mundo no qual a informação chega de maneira muito veloz, em virtude da era digital. “São pessoas que têm muito conteúdo. O audiovisual está formando uma turma jovem com mais capacidade e com mais facilidade de obter conhecimento”, pontuou Furtado.



Conforme observou o professor, essa juventude está tendo acesso a uma tecnologia mais democrática, sendo que domina essa plataforma digital. João Paulo Furtado assinalou que toda vez que acompanha uma mostra de cinema, presencialmente ou por outros meios, conhece novos nomes no ramo, que recebem muitos elogios. “Esses novos talentos estão recebendo vários prêmios e são homenageados não apenas aqui no Maranhão, como também até fora do Brasil”, explicou o entrevistado.





Primeira turma da Escola de Cinema do Maranhão recebendo certificado (Foto: Iema)


Na opinião de João Paulo, essa geração está surgindo, pelo menos, desde 2010. Para ele, essa “safra de pessoas talentosas” tem muita vontade de produzir e exibir seus filmes com muita qualificação. “O que está faltando é o estímulo do poder público. Mas também é bom que as pessoas pensem em parcerias com o setor privado, para que vejam que é importante o audiovisual, pensando em retorno financeiro e no retorno de imagens, com marketing cultural”, salientou o professor da Universidade Ceuma, que é mestre em Educação na Faculdade de Comunicação Social e das Ciências da Educação (Universidade del Salvador).



Especialista em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e em Artes Visuais: cultura e criança pelo Senac, Furtado encerrou a entrevista dizendo que essas parcerias seriam interessantes para as marcas do setor privado, para os realizadores e para o público. “Houve muito avanço em nosso século XXI em termos de material humano e na oferta do conhecimento”, destacou o professor João Paulo Furtado.





O cinema já pode ser notado nas pinturas rupestres porque estas denotam movimento


História do cinema no Maranhão


De acordo com o professor Marcos Fábio Belo Matos, em seu artigo “José Fillipi: o italiano pioneiro do cinema no Maranhão”, a “Sétima Arte” no território maranhense deu seus primeiros passos em 1898, três anos depois que, em Paris, os irmãos Lumière apresentaram ao mundo o que seria “a maior novidade fin-de-siècle”: o cinematógrafo. Doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista-Araraquara e pós-doutor em Comunicação pela Unisinos, ele observa que, nos primeiros 11 anos de atividade em terras maranhenses, o cinema foi totalmente ambulante.



Naquela época, as sessões eram sazonais, sendo que ocorriam quase sempre no antigo Teatro União (hoje Arthur Azevedo). “Durante o ciclo ambulante, passaram por São Luís 14 aparelhos cinematográficos, dos mais variados nomes. Mas um deles, além de apresentar as 'vistas', animadas e fixas, fez também o que seria o primeiro filme maranhense. O nome do projecionista-diretor-empresário de cinematografia era José Fillipi, italiano, que esteve em São Luís, apresentando o seu Bioscópio Inglês, de 13.07 a 08.08.1902”, assinala o professor no trabalho acadêmico.



Importante esclarecer que esse artigo foi publicado nos Anais do 1º Simpósio Internacional Brasil Maranhão, em São Luís/MA, de 26 a 28 de agosto de 2015, e do 6º Encontro Regional Sul de História da Mídia, em Ponta Grossa/PR, de 15 a 17 de junho de 2016.



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