• Nelson Melo

O ‘bicho medo’ e a cena do redemoinho em ‘Piratas do Caribe’

No filme “Piratas do Caribe – no fim do mundo”, o capitão Barbossa, na famosa cena do redemoinho, quando está ocorrendo uma batalha contra o exército de Davy Jones e do lorde Beckett, diz que a hora da morte deveria ser o momento para vivermos com mais intensidade. Inclusive, nesse instante, Will Turner e Elizabeth se casam, enquanto o barco “Pérola Negra” gira na água agitada. O poeta maranhense Antonio Pereira de Andrade também é otimista diante dos problemas. Em seu texto “Bicho Medo”, ele diz o seguinte: “adocei a vida com o mel da própria vida”.



O poeta Antonio Pereira de Andrade sabe como ninguém analisar o comportamento humano


“Agora talvez seja a única hora”. Essa foi a resposta de Will Turner a Elizabeth quando houve o pedido de casamento em plena luta no redemoinho, sendo que ela foi pega de surpresa e disse que aquela não era uma boa hora. Enquanto isso, as embarcações “Pérola Negra” e “Holandês Voador” giravam no mar, durante uma tempestade. É uma cena que nos leva a uma reflexão sobre como devemos agir quando estamos enfrentando situações adversas. Afinal de contas, nem sempre os ventos são favoráveis, mas sempre existe um “mar de rosas”, fenômeno simbólico que não é uma realidade apenas na música do grupo “The Fevers”.




Will pediu Elizabeth em casamento durante a batalha no redemoinho (Imagem: Entretendo)


Como diz a canção, nem sempre o sol brilha, pois também há dias em que a chuva cai. Podemos girar em torno dos problemas, claro. No entanto, esse giro pode ser feito em torno das soluções. Nesse caso, prestaríamos mais atenção no ser (ontologia), em detrimento do sujeito (cultura). É uma ação estratégica, que coloca a razão acima da emoção, sem que uma instância anule a outra, tendo em vista que precisamos da irracionalidade para pensarmos melhor sobre determinados temas na vida. O “bicho medo” está em todos os locais porque nós o levamos inconscientemente.


O poeta Antonio Pereira de Andrade, que em breve lançará seu primeiro livro, menciona que manteve a calma e se atirou de corpo e alma. “Remanejei a força da fúria, desprendi-me da frescura, apontei o dedo ao que me dava medo”, prossegue ele. O seu texto fala sobre a essência e a existência de uma forma que nos leva a idealizarmos um ser humano imune às adversidades. Essa autopercepção tem a ver com autoconhecimento e autoestima. O segredo é não ficarmos “vendo navios”, uma vez que essa conduta põe as prioridades nas profundezas da mente, o que dá início ao fim do mundo.



O medo pode nos impedir de conquistarmos nossas metas (Imagem: Psiconlinews)


Pensar sobre essas coisas alimenta nossa força de vontade e a esperança por dias melhores. Ninguém precisa desejar a morte, mas é fundamental atrair a vida. O mundo gira na velocidade dos nossos pensamentos. O “bicho medo” não escolhe sua vítima. Portanto, o único caminho viável é viver apesar das emoções que nos paralisam. As batalhas que travamos contra nós mesmos são sempre terríveis. Se algum dia você sentir que nada mais vale a pena, desligue-se da realidade e olhe para dentro da sua intimidade. Dessa forma, verá que a verdade nunca “morreu” enquanto você desistiu de viver.

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© 2019 por Nelson Melo.