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O movimento da vida e as reações emocionais ao luto

Autor: Agnaldo Alles (estudante de Psicologia da Faculdade Estácio São Luís)




Vivemos numa época em que, frequentemente, nos deparamos com a morte. Essa situação ocorre em vários níveis, incluindo o noticiário e as conversas familiares. Mas será que estamos preparados quando perdemos alguém em nosso círculo íntimo? Saibam que o luto não se trata somente da morte de uma pessoa querida, como, também, a perda de um emprego, de um negócio, o fim de um relacionamento etc. Todos nós estamos sujeitos a vivenciar esse tipo de situação. O fato é que, mais cedo ou mais tarde, iremos passar por ela. Perder é algo natural da vida e faz parte de um processo de aprendizado e amadurecimento.





O luto é uma sensação emocional que pode ser breve ou se prolongar por toda a vida





No livro intitulado “Sobre a Morte e o Morrer”, da psiquiatra suíça Elisabeth Kübler Ross, a autora relata estágios de reações perante uma notícia de morte iminente, que se manifestam de acordo com a seguinte ordem: negação, isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação. Dessa forma, ao sabermos de uma triste notícia, primeiro negamos, ou seja, não aceitamos de forma alguma que aquilo está acontecendo conosco. Após processarmos esta realidade, torna-se até aceitável que nos isolemos. Nesta fase, passamos a refletir sobre muitas coisas, incluindo nossos relacionamentos com a pessoa falecida ou a nossa própria vida. Mas, de repente, ao olharmos para algum amigo, ou mesmo um desconhecido passando feliz na rua, a sensação é que a morte nunca alcançou alguém próximo daquela pessoa. Então, nós nos revoltamos, e a raiva enche o nosso peito.





A vida se resume a um equilíbrio eterno entre prazer e sofrimento na superfície existencial





Diante desse cenário, olhamos para o alto e perguntamos o porquê de termos sido “escolhidos” para sofrer tanto. No entanto, barganhamos com Deus o seguinte: se a coisa ou a pessoa que perdemos ser devolvida ao nosso convívio, seremos pessoas melhores ou deixaremos de fazer algo que é desagradável à justiça divina. Ora, é só uma questão de tempo para entendermos que as coisas tomam o seu devido lugar no ciclo da natureza. Percebemos, então, que não teremos mais de volta o que era tão importante. Surge uma tristeza profunda em nosso peito, evidentemente, até que o tempo passa e finalmente aceitamos os fatos ou o nosso destino.






A aceitação de que existem processos naturais é o primeiro passo para amenizar o sofrimento





A ordem destes estágios não acontece necessariamente desta forma, pois isto dependerá de cada pessoa. No entanto, a médica psiquiatra Elisabeth Kübler Ross observou essa situação em inúmeros pacientes que ela entrevistou. No seu caso, leitor, o que poderia deixá-lo de luto? O que é importante para você: o seu celular, o seu carro, seu emprego, sua família? Tempos difíceis nos levam à reflexão. Esteja, portanto, preparado para as perdas na vida, sempre tendo em mente que a vida tem os seus momentos bons, também. Além disso, toda fase difícil irá passar. Nós só temos que estar preparados para as duas coisas, a fim de que possamos enfrentar o luto e usufruirmos as oportunidades. Isto é o que podemos denominar de movimento da vida.

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