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O Papel da Responsabilidade na Formação da Personalidade

O ser humano possui uma responsabilidade para consigo mesmo e com os outros. Perante suas escolhas, o indivíduo é muito mais do que um produto de influências genéticas e ambientais. A cultura, a educação, a família, tudo são fatores de peso para a formação da personalidade de uma pessoa. No entanto, em cada um de nós há um espírito de liberdade que, mesmo diante de influências internas e externas, nos torna livres para fazermos escolhas independentes, o que coloca a existência humana além de um simples jogo determinista.


“(...) Portanto, estaríamos francamente à deriva, levados pela torrente do fatalismo, se fizéssemos de conta que unicamente a hereditariedade e o meio seriam os componentes de um jogo de forças denominado ser humano. Seria incorrer no equívoco de decidir sobre a sorte e a vocação da pessoa sem consultar a própria, desconsiderando a sua essência radicalmente espiritual e, portanto, livre, e por isso responsável”, disse Víktor Frankl em “Psicoterapia para todos: uma psicoterapia coletiva para contrapor-se à neurose coletiva”.


Jamais o ser humano pode perder a sua identidade, ou ser apagado por fazer parte de uma coletividade. A massa tenta unificar e tornar todos iguais ao custo da perda da individualidade das pessoas que a compõem, exaurindo as responsabilidades individuais e emitindo juízos globais. Todo indivíduo precisa de uma identidade própria, isto é, definir-se como pessoa. Somente no âmbito de uma comunidade o sujeito encontra condições de se destacar.


“(...) Tal se deve ao fato de a comunidade necessitar da presença de personalidades dela destacadas e de, em contraposição, cada personalidade precisar da comunidade em cujo seio – e somente dentro dela – se poderá realizar e, pois, ser inteiramente pessoa. Bem diferente, porém, é o que sucede com a massa. Nesta, nenhuma personalidade humana, nem sequer algo como a pura individualidade de um sujeito, terá condições para fazer-se valer e desenvolver-se. A massa, de preferência, prescinde da personalidade, que para ela constitui um embaraço. Por essa razão, combate as personalidades, reprime-as, priva-as da liberdade, castrando essa liberdade em nome da igualdade”, prossegue Frankl na obra.




Sendo assim, somente o homem é dotado de responsabilidades. Nenhuma massa ou coletividade poderá falar ou justificar suas escolhas como pessoa, tendo em vista que a sociedade é formada por um conjunto de indivíduos. Todos, desse modo, são distintos entre si, ou seja, só há responsabilidade no indivíduo, pois a coletividade é impessoal e despersonalizada.


Víktor Frankl destaca o seguinte: “No entanto, não devemos nunca esquecer que a massa, assim como a comunidade, não é um ser personalizado. Aliás, somente pessoas possuem liberdade e responsabilidade. Disso se conclui que somente pessoas, com base em decisões livres e ações responsáveis, têm culpa ou têm méritos, conforme o caso. Jamais, porém, uma coletividade, essencialmente impessoal, poderia considerar-se culpada. Por aí, se vê de antemão inexistir algo que se passou a chamar culpa coletiva”.


Portanto, o ser humano é o único ente que carrega dentro de si a responsabilidade pelo seu presente e futuro. Além disso, carrega, também, um potencial interior para o seu próprio desenvolvimento. “Gradualmente, minha experiência me fez concluir que o indivíduo traz dentro de si a capacidade e a tendência, latente se não evidente, para caminhar rumo à maturidade”, frisou Carl Rogers em “Torna-se Pessoa”.

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© 2019 por Nelson Melo.