• Nelson Melo

Os arqueiros que desferiam flechadas nos alvos enquanto cavalgavam

Eu sou muito interessado pela história das civilizações. Por este motivo, leio bastante sobre o tema. Quando me deparo com livros que discorrem acerca desse assunto, não penso duas vezes: compro logo. Eu compreendo a dinâmica das facções criminosas no Maranhão também por estudar a origem e colapso de povos antigos. Durante o Império Parta, por exemplo, os seus guerreiros e cavaleiros eram muito habilidosos. Os arqueiros conseguiam desferir flechadas nos alvos enquanto cavalgavam, segundo pesquisas de historiadores internacionais.



Os partas se destacavam nos combates pelo "Disparo Parta" durante os combates



Por volta de 5.000 a.C., agricultores sumérios se estabeleceram na área fértil do Sul da Mesopotâmia (“Terra entre Rios”), no local onde hoje está o Iraque, ao longo dos rios Tigre e Eufrates. Eles construíram uma rede de valas e canais de escoamento. Cidades-estados se formaram naquele espaço, já por volta de 3.000. Ur, por exemplo, tinha aproximadamente 40 mil habitantes. Com o passar do tempo, esses grupos criaram a escrita cuneiforme, por causa do formato de cunha dos sinais que eram grafados em tabuletas de argila.


“O primeiro grande império da Suméria foi estabelecido por Sargão, rei da Acádia (antigo reino situado ao norte da Suméria). Por volta de 2.350, todas as cidades sumérias estavam sob seu controle”, explica a historiadora Emma Marriot em “A História do mundo para quem tem pressa”. Após quedas e retornos daquele povo, a Suméria finalmente foi tomada pelos amoritas, por volta do ano 2.000, sendo que resultou no surgimento da Babilônia.


No Oriente Médio, surgiu o Império Aquemênida, depois que Ciro II, o Grande, chegou ao poder na Pérsia. A Babilônia e a Palestina, além da Assíria, caíram nesse projeto de expansão do rei. Com Dario I, as conquistas continuaram. O exército dele foi derrotado pelos gregos na Batalha de Maratona. Porém, pouco tempo depois, Xerxes incendiou Atenas, em 480 a.C. No entanto, o Império Persa sofreu um declínio, como aconteceu com a facção Primeiro Comando do Maranhão (PCM), até ser dominado pelos macedônios, por meio de Alexandre, o Grande, que teve como preceptor nada mais, nada menos que o filósofo Aristóteles. Na parte militar, seu mestre foi o general Lisímaco.


Império Parta


Enquanto isso, na região do atual Irã, o Império Parta se sobressaía no Nordeste da Pérsia. A Dinastia Arsácida, então, avançou. De acordo com Emma Marriot, essa civilização se tornou um polo comercial, por se situar na Rota da Seda, que ligava a China ao Império Romano. “Os partas eram guerreiros e cavaleiros notavelmente hábeis – os arqueiros conseguiam desferir flechadas enquanto cavalgavam (técnica conhecida como “Disparo Parta”), o que lhes dava grande vantagem nos campos de batalha”, destaca a historiadora.


De forma semelhante ao Bonde dos 40, que incorporou muitas condutas do Primeiro Comando da Capital (PCC) na época da aliança, no Estado do Maranhão, esse império sofreu muitas influências dos gregos, embora, aos poucos, retomasse o modo de vida iraniano. Em seus planos de expansão, os partas ultrapassaram os limites territoriais dos romanos, que foram derrotados pelo inimigo, que utilizou táticas de guerrilhas, na Batalha de Carras, no ano 53 a.C., “no que foi considerado um dos maiores desastres militares da história de Roma”, na época de Marcus Licinius Crassus, o que deu origem à expressão “erro crasso”.



Os combates entre partas e romanos deixaram Marcus Crassus sem credibilidade


Nesse embate, o Império Romano enviou 44 mil soldados. Os romanos, porém, continuaram em conflitos com o Império Parta, que desmoronou em 224 d.C., devido a rachas internos, algo semelhante ao que está acontecendo na região metropolitana de São Luís/MA, onde instabilidades dentro da estrutura do Comando Vermelho (CV), por conta da reativação do Primeiro Comando do Maranhão (PCM), motivaram o Bonde dos 40 aos ataques e operações recentes de tomada de territórios.


Queda dos partas


Os partas caíram sob o domínio do Império Sassânida, fundado por Ardacher I, em 224 d.C. Esse grupo travou batalhas contra romanos, hunos, turcos e bizantinos, sendo que se desintegrou no século VII. De guerras em guerras, civilizações desapareceram e outras se fortaleceram, com registros de aprimoramento a partir do contexto histórico. Também de confrontos em confrontos, facções criminosas somem no Brasil, mas outras apenas crescem cada vez mais, como o PCC, cuja expansão lembra muito a das antigas civilizações, com rompimento de barreiras territoriais e subjugação de quadrilhas de outros países, como o Paraguai.



As guerras sempre existiram no contexto humano e existirão até a destruição total da Terra



Arquetipicamente, é uma repetição do que já aconteceu em outro local do planeta. As facções pretendem estabelecer seus domínios em qualquer instância: família, escola, igreja, presídios, enfim. Não são civilizações, mas são equivalentes no sentido de impor suas próprias regras de conduta, incluindo os “tribunais do crime”. Estudar a História significa estudar o presente. Esse resgate é fundamental para verificarmos conexões e compreendermos esse mecanismo violento repleto de emboscadas, acordos, traições e códigos.


Nos tempos atuais, ninguém desfere fechadas no inimigo enquanto cavalga, pois o “Disparo Parta” foi substituído por projéteis. Dentro de carros em movimento, os bandidos desferem disparos de arma de fogo em seus rivais. Cada vez mais, os brasileiros não conseguem mais nem “pegar um vento”. Sem placa de cerâmica para protegê-los, os moradores já são considerados sortudos se, porventura, o tiro for apenas de raspão.

13 visualizações

© 2019 por Nelson Melo.