• Nelson Melo

Passeio simultâneo em São Luís e Paris será transmitido por escritor e músico

A história de São Luís, apesar de muito exibida nos livros, é pouco conhecida pela população ludovicense. O que prevalece, infelizmente, é o senso comum, que fragmenta o contexto da cidade em partes desconexas, o que contribui para ignorância do morador e turista. A fim de esclarecer como ocorreu esse processo urbano sem omissões, o escritor e pesquisador Antonio Noberto fará uma live, nessa quarta-feira (12), às 10h (horário de Brasília), diretamente da capital maranhense. Simultaneamente, do outro lado do Oceano Atlântico, estará o músico Sérgio Soares, que mostrará Paris, capital francesa, com o mesmo objetivo.

Em entrevista concedida ao meu site, Noberto, que é membro fundador da Academia Ludovicense de Letras (ALL), explicou que a “Live Tour Paris São Luís – um passeio a pé no Centro da Cidade Luz” foi um projeto idealizado por ele devido à riqueza cultural existente na capital francesa, e, também, porque a capital maranhense possui uma forte relação histórica com Paris. Como o escritor ressaltou, onde será iniciado o passeio, na região central de Paris, é exatamente o ponto no qual foi concebido São Luís/MA, cujo processo foi materializado no quadro “São Luís antes da fundação”, pintado pelo artista plástico Antonio Povoas a pedido do pesquisador.

A live será transmitida nessa quarta-feira (12) no instagram do escritor Antonio Noberto

“A gente vai mostrar o Museu do Louvre, que já foi o Palácio Real. Por este motivo, São Luís foi concebido lá, isto é, a cidade e a França Equinocial. Lá, já foi, também, uma fortaleza há mais de um milênio”, esclareceu Antonio Noberto. Segundo o escritor, a live será feita de forma conjunta com o músico Sérgio Soares, que é natural de Curitiba, capital do Paraná, mas reside em Paris há duas décadas, sendo que toca nas noites da capital francesa, onde é muito conhecido não apenas por sua inteligência, como, também, por ser compositor.

Conforme frisou Noberto, ambos se conheceram há muitos anos, quando o membro da ALL proferia uma palestra. Desde então, nunca mais perderam o contato, para sorte dos ludovicenses e parisienses, uma vez que, sem essa amizade, a live seria improvável. “Ele me recebeu no ano passado em Paris. Foi um momento muito gratificante, com troca de conhecimentos. Então, nós iremos mostrar um roteiro belíssimo entre o Louvre, o Rio Sena, a Catedral de Note-Drame e outros pontos. Nós iremos falar sobre curiosidades. Por exemplo: a ilha São Luís, que fica no coração da França, era chamada de ‘Ilha das Vacas’, que, coincidentemente, era também o nome de São Luís/MA, que era chamada de Upaon-Açu”, comentou o entrevistado.

Ainda conforme o escritor, a live exibirá a movimentação em Paris nesse momento da pandemia da Covid-19. “O Sérgio é um amante de São Luís. Ele adora a nossa cidade e já veio aqui algumas vezes. Eu estarei na Praça Pedro 2, no Centro da capital maranhense, onde São Luís foi fundada, ou seja, marco zero da cidade. E ele estará no marco zero de Paris”, assinalou Antonio Noberto, em cujo instagram (@antonionobertoslz) será feita a transmissão ao vivo.

Quadro “São Luís antes da fundação”

A história da tela tem relação com a descoberta do Forte Sardinha, que foi levantado pelos franceses aqui deixados pelo capitão Jacques Riffault, entre o fim dos anos 1500 e início de 1600, sendo que dava suporte a um incipiente núcleo responsável pelas ações que faziam do Brasil Setentrional acontecer, “região completamente abandonada pelos ibéricos à época”, como se expressou Noberto. O reduto gaulês servia como um elo entre várias localidades brasileiras, funcionando, ainda, como a “maior ligação entre a Amazônia e os portos franceses de Rouen, Dieppe, La Rochele, Saint-Malo, Cancale e Havre de Grace”. Protegido pelo Forte Sardinha, desse local, Daniel de La Touche recebeu o pedido para a criação de uma colônia francesa nas proximidades da Linha Equinocial, atual Linha do Equador. Contudo, em 1612, com a instalação da Nova França, esse reduto começou a ser esvaziado e “dando protagonismo à nascente cidade, capital da nova colônia”.

O quadro "São Luís antes da fundação" foi pintado a pedido de Noberto após descoberta

Ele relembrou que, em meados de 1950, o historiador e professor maranhense Rubem Almeida, que morreu em 1976, mostrou para um de seus alunos, o Sálvio Dino, membro da Academia Maranhense de Letras (AML), que São Luís deveria saber onde se localizava o Forte Sardinha, que foi descoberto a partir de uma parceria com Noberto, que localizou, ainda, um importante reduto entre a Ponta d’Areia, São Francisco e Renascença, na capital maranhense. O Forte, conforme o idealizador da “Exposição França Equinocial para sempre”, ficava no São Francisco, na elevação onde atualmente está a Praça Botafogo, “marco inicial da Rua das Paparaúbas”.

Com base na descoberta, Noberto mandou confeccionar o quadro “São Luís antes da fundação”, pintado pelo artista plástico Antonio Povoas.

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© 2019 por Nelson Melo.