• Nelson Melo

Perito do IGF/MA falará sobre avanços na coleta de DNA de criminosos

A coleta de material biológico para obtenção do perfil genético, a fim de realizar a identificação criminal, tem previsão na Lei nº 12.654, de 28 de maio de 2012. No Maranhão, esse procedimento é feito pelo Instituto de Genética Forense (IGF/MA), que foi inaugurado em outubro de 2016, sendo que está localizado na Rua Afonso Pena, na região do Centro Histórico de São Luís/MA. Na próxima quinta-feira (3), o perito criminal Geyson Souza Cunha fará uma live com o tema “Estratégias para o avanço na coleta de DNA de criminosos durante a pandemia”.


A live será feita por Geyson Cunha (IGF/MA) e por Guilherme Silveira (RIBPG/Senasp)

De acordo com explicações do perito criminal, que trabalha no IGF/MA, a live ocorrerá como resultado de um convite feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com o objetivo de compartilhar um pouco sobre os procedimentos realizados no território maranhense para a coleta de DNA dos condenados pela Justiça. Convém ressaltar que o trabalho no Instituto de Genética Forense do Maranhão é executado por uma equipe, ou seja, por várias pessoas capacitadas, que se dedicam de corpo e alma à missão.

Um ponto que devemos ressaltar é que, caso o preso se recuse, o detento responderá a um Procedimento Disciplinar Interno (PDI), que é instaurado pelo próprio sistema carcerário, conforme previsão no Regime Disciplinar. Existe, por outro lado, um aspecto educativo da coleta de DNA, uma vez que atua como contraponto à sensação de impunidade. Sabendo que o seu material genético está cadastrado no banco, o sujeito, dependendo de sua personalidade, pensará duas vezes antes de praticar um delito.



Ademais, o procedimento oferece uma dignidade à pessoa, tendo em vista que evita prisão ou condenação de inocentes.


O Instituto de Genética Forense do Maranhão fica na Rua Afonso Pena (Foto: Gilson Teixeira)

Sobre a live, importante destacar que será apresentada pelo perito criminal Geyson Cunha e pelo coordenador da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG/Senasp), Guilherme Silveira Jacques. A transmissão acontecerá às 15h, no sharepoint da RIBPG.

Coleta de DNA nos presídios

Em dezembro de 2018, eu acompanhei, como repórter policial, a coleta de DNA, na Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) do Monte Castelo, em São Luís/MA, dos presos do regime semiaberto, que foi realizada pelo Instituto de Genética Forense do Maranhão. Na ocasião, o objetivo do procedimento foi a inclusão no banco de perfis genéticos, para auxiliar na recaptura de foragidos de saídas temporárias, e, também, na identificação de autores de crimes diversos.



Acompanhei a coleta de DNA feita pelo IGF/MA em dezembro de 2018 (Foto: Nelson Melo)

A coleta do DNA abrangeu mais de 180 presos da UPR do Monte Castelo, sendo que o procedimento foi realizado a partir da retirada do material genético da mucosa oral, em um trabalho minucioso que começou logo cedo, por volta das 8h daquele dia. Na época, Christhiane Cutrim, então diretora do IGF/MA, disse que o material recolhido, logo após o procedimento no presídio, seria encaminhado ao laboratório do Instituto, para que, após análise laboratorial, o perfil genético fosse inserido no banco de DNA.

A perita criminal destacou, quando eu a entrevistei, que esse procedimento é de extrema importância como ferramenta de apoio em investigações policiais e na recaptura de criminosos. Ela recordou, durante a conversa que teve comigo, uma fuga que ocorreu na UPR do Olho d’Água, na capital maranhense. Dentre os 12 detentos que escaparam naquela circunstância, 5 já estavam cadastrados pelo IGF/MA. Nesse sentido, caso cometessem crimes, seriam identificados pelo vestígio contendo DNA no local do delito.

14 visualizações

© 2019 por Nelson Melo.