• Nelson Melo

Praça das Árvores passa por requalificação preservando a missão ecopedagógica

A Praça das Árvores, localizada no Cohatrac IV, em São Luís/MA, é um lugar marcado pelo engajamento, uma vez que lá ocorrem muitas ações sociais e culturais, como o “Empório Social”, a “Jardinagem Pedagógica” e o “Artesanato na Praça”. Os eventos que acontecem ali são fundamentais para que as pessoas conservem não apenas o local, como, principalmente, a cidadania. O logradouro está passando por um processo de requalificação, mas mantendo a ideia de sustentabilidade, pois o uso consciente dos recursos naturais é essencial para o bem-estar coletivo.


A requalificação da praça está acontecendo com a participação do Comitê Gestor

De acordo com a professora Lourença Pereira, membro do Comitê Gestor da Praça das Árvores, houve uma reunião no local, na sexta-feira (14), das 15h às 16h30, entre os membros da entidade, do Instituto Municipal da Paisagem Urbana (Impur) e da Ducol Engenharia Ltda. O objetivo do encontro foi elencar um conjunto de posturas que devem ser consideradas na supressão, poda e plantio de algumas novas espécies botânicas no logradouro. Os envolvidos no diálogo percorreram toda a praça, para fazer um detalhamento de cada árvore do lugar, incluindo nomes, quantidade e estado de conservação.

Esse procedimento foi necessário para que as equipes selecionassem os exemplares que podem ser suprimidos sem prejuízo ao conjunto arbóreo do ambiente, conforme explicações de Lourença Pereira. Ela comentou que, em levantamento anterior, o Comitê Gestor identificou a presença de 16 pés de amendoeira e 5 de Lucena, que são árvores de grande porte, sendo que algumas estão plantadas sem o devido espaçamento, enquanto outras estão tortas, ou seja, na iminência de caírem.

O encontro entre os membros do Comitê, do Impur e da Ducol ocorreu na sexta-feira (14)

Nesse sentido, algumas unidades de amendoeira e de Lucena serão suprimidas. Esse procedimento possibilitará, segundo Jonas Monroe, engenheiro agrônomo do Impur, maior entrada de luz para estimular o crescimento das demais plantas. Além disso, outras árvores, como mangueira e cajueiro, serão apenas podadas, para favorecer o seu crescimento e a produção de copas vigorosas. A professora Lourença Pereira acrescentou que também ficou acertado o plantio de árvores frutíferas que não estão presentes na Praça das Árvores, para incrementar o conforto térmico, o isolamento acústico, o conjunto de frutos orgânicos e a cooperação para atrair maior variedade de pássaros.

“Mais uma vez fica evidente o compromisso em garantir uma praça para o usufruto social da comunidade, no que se busca manter o diálogo com a gestão pública, no pleno exercício de sua autonomia cidadã", ressaltou Camilo Rocha, coordenador do Comitê Gestor da Praça das Árvores. Ele enfatizou que os membros do Comitê Gestor continuarão realizando sistemáticas visitações ao local e mantendo o diálogo constante com o Impur, por meio do presidente Fábio Henrique Carvalho, e a Ducol Engenharia, representada por Gabriel Borges, engenheiro que supervisiona a equipe técnica executora da obra de requalificação do logradouro.




As intervenções na Praça das Árvores não retiram a essência ecopedagógica do local

Convém ressaltar que participaram da visita ocorrida na sexta-feira membros do Comitê Gestor Camilo Rocha, Concinete Menezes, Lourença Pereira, Stela Leite, Elizabet Santos e Paulo Sabá; do Impur, incluindo o presidente Fábio Henrique Carvalho, além de João Artur, Jonas Monroe e Lindinaldo dos Santos; e da Ducol, que foi representada por Gabriel Borges.

Praça e engajamento

A Praça das Árvores é um ambiente propício para que a ideia de cidadania ultrapasse as fronteiras do conceito e adentre no cotidiano das pessoas, por meio de ações que viabilizam a sustentabilidade. Esse conjunto de fatores possibilita transformações na comunidade, pois a sensação de pertencimento é internalizada desde a infância, uma vez que crianças também participam dos projetos. O logradouro não é apenas um detalhe na cartografia de São Luís, tendo em vista que a conservação ecológica é praticada em concomitância com a conservação cultural.

Eu falo isso não como teórico, mas como alguém que conhece de perto a realidade do local. Já participei de vários eventos na Praça das Árvores. Por meio desses projetos, tive a oportunidade de fazer o relançamento do meu segundo livro, “Guerra Urbana – o homem vida loka”, durante o “Empório Social”. Tenho certeza de que, com as intervenções urbanas lá, o lugar ficará mais bonito e atraente, mas mantendo a essência de um ambiente que provoca mudanças positivas na conduta de quem se engaja nessa missão ecopedagógica.

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© 2019 por Nelson Melo.