• Nelson Melo

Presença de adolescentes em facções é debatida em programa de rádio

O meu site já publicou um artigo sobre o recrutamento de adolescentes pelas facções criminosas que atuam no Maranhão. No texto, cito que o objetivo das organizações é aumentar suas fileiras, para a guerra urbana e também para manter os grupos financeiramente. O tema foi debatido no programa “Fala Comunidade”, da Rádio Comunitária Ilha do Amor FM, localizada na Cohab-Anil, em São Luís/MA. Eu e o jornalista Arleysson Rodrigo, que é conselheiro tutelar daquela região, fomos entrevistados por Patrício Barros, que realiza um trabalho interessante na prevenção às drogas por meio de palestras.



Eu ao lado de Camilo Filho e Arleysson Rodrigo após a entrevista na Rádio Ilha do Amor



O debate aconteceu no último domingo (16), sendo que eu e Arleysson fomos convidados pelo pedagogo Camilo Filho, apresentador do “Fala Comunidade”, que igualmente participou do diálogo. O momento foi muito interessante, pois abordamos o tema por vertentes diversas. Em um dos subtópicos, foi discorrido que o adolescente, infelizmente, percebe o crime organizado como uma “missão”, no sentido de se entregar à facção de tal forma que sua personalidade se confunde com as propostas destruidoras das organizações criminosas.


Em um dos momentos do debate, falamos sobre uma escola localizada na região metropolitana de São Luís cujas paredes e cadeiras estavam todas pichadas com a sigla de uma facção criminosa. O ambiente, nesse contexto, era propício para que os alunos e alunas se sentissem atraídos pela ideia da “vida loka”, apesar de não terem sido formalmente convidados pelo crime organizado para ingressarem nas fileiras dos grupos. É uma realidade triste e que necessita ser levada para reflexão em todas as instituições, incluindo a família.


Também debatemos que a maioria dos professores da Grande Ilha ainda não estão preparados para atuarem nesse ambiente caótico, no qual adolescentes simpatizam com facções e levam essa “paixão” para os estabelecimentos de ensino. Uma capacitação, com profissionais que entendem do assunto, poderia ser uma forma de deixá-los prontos para uma abordagem que não seja repressiva, mas, acima de tudo, preventiva, com a presença dos pais ou responsáveis desses jovens.



Eu e Arleysson ao lado da equipe do programa "Fala Comunidade" depois do debate



O que eu percebo na pesquisa é que o jovem que adere a uma bandeira de facção age com fanatismo. Ele não pensa em outra coisa a não ser em eliminar o “alemão”. Das ruas, o rapaz carrega essa “missão” para as unidades da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac). A rivalidade é vivenciada também nesses ambientes, apesar dos esforços dos educadores durante as aulas que oferecem aos internos. A situação é mais grave do que pensa nossa vã filosofia.


O que posso dizer é que Patrício Barros conduziu muito bem a entrevista. Arleysson Rodrigo informou que, como conselheiro tutelar da área Cohab/Cohatrac, está agindo mais fora do “gabinete”, ou seja, indo às escolas, principalmente, para manter um diálogo constante com os gestores, coordenadores pedagógicos e professores. Camilo Filho, como militante das causas sociais/culturais e pedagogo, fez importantes contribuições no debate.



Dois exemplares do meu livro foram sorteados ao final do programa "Fala Comunidade"



Ao final da entrevista, foram sorteados dois exemplares do meu livro “Guerra Urbana – o homem vida loka”, para os ouvintes. O programa “Fala Comunidade” é uma voz para a população ludovicense no que tange a situações do cotidiano envolvendo a cidadania. Aos domingos, das 10h às 12h, sempre algum profissional é convidado para debater um assunto. Baixe o aplicativo da rádio em seu celular ou sintonize na 106,3. Ligue para o 3244-0864. Sua participação é muito importante.

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© 2019 por Nelson Melo.