• Nelson Melo

Professor da Ufma cita cuidados para evitar acidentes com energia elétrica

Ter energia para fazer exercícios físicos é muito benéfico para o corpo e a mente. Nesse caso, o sentido pode ser conotativo e denotativo. No entanto, quando falamos em energia elétrica, a situação muda de semântica, porque alguns cuidados precisam ser tomados, a fim de evitar acidentes nas residências e comércios. Em entrevista concedida ao meu site, o professor Raimundo Nonato Diniz Costa Filho, doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Maranhão (Ufma), alertou sobre o uso de “benjamins” e a prática do “gato”.

Raimundo Nonato é formado pela Ufma com doutorado em Engenharia Elétrica

Professor na Ufma, Campus Balsas, Raimundo Nonato comentou que a questão referente à energia elétrica é algo que as pessoas deveriam encarar com mais seriedade, uma vez que muitos acidentes domésticos que acontecem poderiam ser evitados caso fossem tomados cuidados simples. Ocorrem, por exemplo, muitos choques elétricos, que, dependendo da intensidade e tempo de duração, podem causar sequelas ou, nos casos mais graves, a morte da vítima. No Maranhão, inclusive, essa situação já foi registrada inúmeras vezes. Eu, quando era repórter nos jornais Pequeno e O Estado, acompanhei muitas.

“Podem ocorrer incêndios por sobrecarga ou curto-circuito. Isso está relacionado ao contato das pessoas com tomadas sem proteção, principalmente, as crianças. Fios desencapados, “benjamins” (os famosos “T”) e contato com eletrodomésticos e eletrônicos podem também provocar essas situações”, pontuou o doutor Raimundo Nonato. Como jornalista, na época em que trabalhava no Jornal Pequeno, acompanhei um caso ocorrido no Coroadinho, em São Luís/MA, no dia 15 de março de 2018, quando faleceu eletrocutada uma mulher de 25 anos.

O uso de "benjamins" não é recomendado porque pode causar acidentes domésticos

Segundo apurei na época com a Polícia Militar, ela manuseava uma máquina de lavar ligada à tomada, quando recebeu uma forte descarga elétrica. A moradora era sobrinha de um ex-deputado maranhense. A jovem, depois do choque elétrico, foi levada às pressas à Unidade Mista do Coroadinho, sendo depois transferida, devido à gravidade da situação, à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bacanga, onde não resistiu. A mulher foi sepultada no Cemitério do Gavião, localizado no bairro Madre Deus, região central da capital maranhense.

Cuidados para evitar acidentes

Por este motivo, o engenheiro eletricista destacou que alguns cuidados precisam ser levados em consideração, para que esses acidentes não aconteçam. “Esses acidentes domésticos são evitados instalando um dispositivo denominado Dispositivo Diferencial Residual (DR) e com um aterramento bem projetado. Também não é aconselhável utilizar os ‘benjamins’, igualmente por conta dos perigos referentes à energia elétrica”, explicou o professor, ex-aluno do antigo Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão (Cefet/MA), onde hoje funciona o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Ifma), no Monte Castelo, na capital.

O docente acrescentou que não é aconselhável, ainda, uma situação muito comum nas residências, comércios e prédios públicos/privados: ligar muitos equipamentos em uma só tomada. “Instalações elétricas antigas também são um grande problema. O ideal é renovar as instalações elétricas a cada 10 anos e fazer manutenção periódica pelo menos a cada 5 anos. É importante não utilizar equipamentos piratas, além de evitar a construção de moradias próximas às linhas de transmissão de alta tensão”, enfatizou o entrevistado.

Primeiros socorros

Às vezes, os acidentes, inevitavelmente, acontecem, por vários motivos, como é amplamente divulgado na imprensa e na própria comunidade onde a situação foi registrada. Isso pode ocorrer não apenas com crianças e adolescentes, como, também, com adultos. O doutor Raimundo Nonato disse que, além do óbito, os choques elétricos podem causar queimaduras, problemas cardíacos e lesões neurológicas. Ou seja, afetam todo o corpo. Por essa e outras devemos pensar sempre na prevenção, fazendo nossa parte, isto é, tomando atitudes sobre coisas que podemos controlar conscientemente.

“Os primeiros socorros para casos de choque elétrico são, basicamente, o seguinte: desligue a chave geral da residência e não toque na vítima com o intuito de afastá-la da fonte elétrica que provocou o choque. A pessoa pode fazer isso usando algum material não condutor de eletricidade, como um pedaço de madeira. Também acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Enquanto a equipe médica não chega, tente acalmar a vítima, caso ela esteja consciente”, esclareceu o engenheiro eletricista maranhense.

Raimundo Nonato assinalou que, caso contrário, o recomendável é deitar a vítima de lado e colocá-la na posição lateral. Se ela estiver respirando, podem ser tentadas a massagem cárdica e a respiração boca a boca.

Prática do “gato”

Na entrevista, o professor Raimundo Nonato Diniz Costa Filho falou sobre o “gato”, instalações elétricas clandestinas que, normalmente, não obedecem a nenhum padrão técnico, não possuem nenhum tipo de proteção e colocam em risco não só a vida dos usuários, como, também, de toda a população. Além de ser ilegal, essa prática pode provocar um acidente com morte. Segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), 627 pessoas morreram em decorrência de choques elétricos no Brasil em 2014.

Os equipamentos elétricos também correm risco devido à queda na qualidade da energia e às constantes interrupções no sistema elétrico, ocorrendo um aumento do número de ocorrências de falta de energia e danos à rede elétrica com o rompimento de condutores e com a queima de transformadores. “O ‘gato’ ocorre quando a pessoa puxa a fiação diretamente do poste de energia elétrica para o lugar onde se pretende usá-la, sem a medição do consumo de energia elétrica. Essa ação é furto de energia elétrica”, salientou o docente da Ufma.

O professor prosseguiu dizendo que, quando alguém tenta modificar o medidor de energia elétrica para obter vantagens, como por exemplo para registrar um valor menor do que o consumido, está ocorrendo uma fraude. Em minha carreira como repórter, acompanhei muitos casos dessa prática. Em uma delas, a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), em 16 de março de 2017, conduziu 5 pessoas, com o apoio do Instituto de Criminalística de São Luís (Icrim/São Luís), após uma operação em um condomínio situado no bairro Turu, na capital.

A Seic realiza diversas operações no Maranhão para combater o furto de energia elétrica

Essas pessoas estavam cometendo furto de energia elétrica, por meio de “jumper” (ligação direta), em apartamentos nos blocos 5 e 6 do condomínio. À noite, o consumo não era registrado, de forma estranha, em cinco apartamentos, mas durante o dia tudo era normalizado. Os investigadores da Polícia Civil, então, começaram a apurar a denúncia feita por moradores. A equipe descobriu os fios utilizados para a prática do “gato”, que desviava a energia sem que esta passasse pelo relógio medidor no período noturno.

Isso era feito de maneira estratégica, tendo em vista que à noite é um período no qual, geralmente, ocorre o alto consumo de aparelhos eletroeletrônicos, como TV, geladeira, frigobar, torradeira, dentre outros. Conforme os delegados me disseram na época, essa prática causa prejuízo patrimonial e pode colocar em risco a vida do responsável pela ligação clandestina. Quando ocorrem reajustes de tarifa, esses danos são repassados aos consumidores.

Sem contar que gera queda na arrecadação de impostos utilizados na prestação de serviços sociais. Ademais, essas gambiarras comprometem a eficiência dos equipamentos e a segurança do imóvel e de seus usuários.

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© 2019 por Nelson Melo.