• Nelson Melo

Projeto realizado na Seic oferece artes marciais a crianças e adolescentes

“Transformando vidas, realizando sonhos”. Essa frase está em destaque na página do instagram do “Projeto Luta pela Vida”, que ocorre nas dependências da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), no Bairro de Fátima (BF), em São Luís/MA. A iniciativa oferece aulas de artes marciais a mais de 100 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos da região. Por meio das modalidades de treinos, os alunos conseguem vários benefícios, como aprimoramento da coordenação motora, canalização do estresse e desenvolvimento da disciplina, aspectos que são comprovados em vários estudos científicos sobre o tema.


O projeto é fundamental para que as crianças e adolescentes aprendam a lutar pela paz

Segundo informações divulgadas pela Seic (Polícia Civil do Maranhão) em seu perfil no instagram, o projeto, que foi iniciado em janeiro de 2017, nasceu com o intuito de trabalhar a questão da inclusão social. O objetivo principal é formar cidadãos por meio das artes marciais, que surgiram na civilização em decorrência da necessidade de autodefesa, pois, conforme Carlos Alexandre Fett e Waléria Christiane Rezende Fett, no artigo “Filosofia, ciência e formação do profissional de artes marciais”, na luta entre tribos, os guerreiros compreenderam essa funcionalidade.

Desse modo, houve a necessidade do treinamento físico e específico em lutas, com a intenção de obter melhores resultados nos combates, sendo que as habilidades eram treinadas nos tempos de paz, de acordo com os autores do artigo. No caso do “Projeto Luta pela Vida”, a ideia é preparar as crianças e adolescentes para as situações que ocorrem no cotidiano no que se refere a questões internas, como a motivação, a dedicação, o esforço, a paciência e a persistência. Tudo isso tem a ver com a busca pelos sonhos e objetivos que estabelecemos a partir das circunstâncias.



A Seic possibilita a transformação psíquica das pessoas por meio das aulas de artes marciais

Um projeto envolvendo artes marciais é muito importante nesse contexto porque, em virtude dos movimentos que aprendem nas aulas, os jovens assimilam o verdadeiro objetivo da vida, que é a paz. A guerra é um evento alheio, por assim dizer, pois só causa prejuízos em todos os sentidos, incluindo o psicológico. Nas dependências da Seic, os garotos e garotas recebem treinamento de várias modalidades, como Judô, Jiu-Jitsu, Karatê, Taekwondo e Muay Thai. Por conta dessa rotina, os envolvidos conseguem, de alguma forma, afastar as crianças e adolescentes das influências negativas e nocivas que podem ser encontradas na sociedade.

Os envolvidos no projeto são guerreiros que usam a luta para o equilíbrio mental



Convém ressaltar que a iniciativa foi fundada pelos policiais civis Fabio Castro (professor faixa preta de Jiu-Jitsu) e Diego Morais (professor faixa preta de Judô). Como a Seic assinalou no texto postado no instagram, o “Luta pela Vida” transmite valores morais, por meio do esporte, à comunidade do Bairro de Fátima. As aulas são totalmente gratuitas, sendo realizadas de segunda-feira a sexta-feira, nos períodos vespertino e noturno. Além de Castro e Morais, integram a diretoria do projeto Thiago Arona, Cajado, Harrison Vinícius, Safira Andrade e Leonardo, bem como outros colaboradores.

Artes marciais e disciplina

Como corredor de rua e praticante de calistenia e musculação, eu sou um dos grandes incentivadores da prática do esporte para a superação de obstáculos internos e externos. Em minhas palestras motivacionais, eu sempre frisei que a questão não é onde estamos, mas onde estaremos. Isso significa que não importa se alguém é tímido, por exemplo. O que realmente importa é que essa limitação pode ser trabalhada para que seja ultrapassada com honestidade, a fim de que a sensação de “dever cumprido” se transforme em motivação com relação a outros desafios.



A mente e o corpo são duas instâncias indissociáveis que precisam sempre do "Eu"

Eu faço corrida de rua em São Luís/MA há mais de 10 anos. O meu objetivo não é apenas ficar com as pernas saradas, ter um “core” definido ou fortalecer a imunidade. De forma aliada, quero ser uma pessoa melhor em todos os setores da minha vida. A atividade aeróbica me permite conhecer meus pontos fracos e detectar meus pontos fortes. Com as artes marciais, acontece um processo similar. A ênfase não é derrubar o adversário, mas se equilibrar mentalmente. Quando isso é alcançado, garanto que o praticante tem acesso mais consciente às suas habilidades, capacidades e potencialidades.

Conhecer o corpo significa conhecer a mente e vice-versa. Tudo é conquistado paulatinamente. Em Medicina do Esporte, assunto que estudo bastante, existe um conceito chamado “periodização do treinamento”. Na prática, essa ideia representa a utilização de uma rotina adequada de exercícios físicos para que uma pessoa se desenvolva na parte anatômica e psíquica. Isso é o que, comumente, denominam disciplina, algo que as artes marciais abordam desde os seus primórdios. Acompanhar o movimento dos braços e respirar controladamente são ações que possibilitam a valorização da paciência e da benevolência.


O esporte é essencial para as crianças (Imagem: Associação Brasileira do Déficit de Atenção)


A benevolência tem tudo a ver com a prática de artes marciais porque o objetivo não é provocar uma guerra, mas promover a paz. Ser forte não é ser agressivo. Na verdade, significa ser resistente ao medo. Lutar pela vida é o que nos transforma em guerreiros. Nos Campos Elíseos, o barulho das cachoeiras, o passeio das borboletas e a sensação de quietude são viáveis quando acreditamos nisso. Se, por outro lado, imaginarmos somente a escuridão e um calor insuportável, o corpo e a mente não passarão de fantoches da negatividade.

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© 2019 por Nelson Melo.