• Nelson Melo

Psicólogos citam meios para enfrentarmos o estresse na pandemia

Quando eu era estudante no Ensino Médio, li uma frase, em algum lugar, que dizia o seguinte: a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Com o tempo, compreendi o sentido disso. Atualmente, estamos vivenciando um momento tenso provocado pela pandemia da Covid-19, que está causando diversos problemas emocionais e metabólicos. Nesse cenário catastrófico, o estresse está se tornando comum nos mais variados ambientes. Para a nossa felicidade, existem estratégias que podemos utilizar para enfrentarmos essas situações, como explicaram os psicólogos Mariana Martins e Júlio César Ribeiro, da Clínica de Psicologia Comporte, em São Luís/MA, em entrevista que concederam ao meu site.

Os psicoterapeutas Mariana Martins e Júlio César fazem atendimentos em São Luís/MA

Iniciando a entrevista, Mariana Martins frisou que é notório que durante a pandemia todos os esforços de pesquisa estão sendo voltados para a produção do melhor entendimento acerca dos mecanismos fisiopatológicos do novo coronavírus, com ênfase nos riscos patogênicos e biológicos. “Na medida em que os países, ao longo do globo, são afetados pela doença, outras questões que vão além da doença em si passam a ser levados em consideração. A experiência humana mostra que as epidemias causam impactos econômicos, psicossociais e políticos, exigindo esforços e recursos do sistema de saúde pública. Esses impactos atingem a saúde mental e perduram por muito tempo após passada a epidemia, como mostram as experiências com o Ebola, por exemplo”, comentou ela.

De acordo com a psicóloga, os desafios são muitos, sendo que, até o momento, as medidas de enfrentamento à pandemia incluem a quarentena e outras formas de distanciamento social. Essas intervenções, de alguma maneira, provocam consequências na esfera comportamental. Essas modificações na conduta humana também são causadas por outros fatores nesse cenário tenso, como a preocupação com os familiares contaminados e o bombardeio de notícias catastróficas sobre o novo coronavírus, além da preservação da própria vida. “Todas essas consequências que incidem no comportamento humano e que causam sofrimento psicológico podem ser classificadas como fatores psicossociais. E sob o prisma de análise funcional, entendemos que são contingências aversivas”, pontuou Mariana, psicoterapeuta comportamental de terceira geração.



A Clínica Comporte oferece um ambiente confortável à saúde mental do paciente

Mariana Martins relembrou um estudo realizado na população chinesa ainda nos estágios iniciais da pandemia da Covid-19. Nessa pesquisa, foram detectados impactos psicológicos, como aumento dos sintomas da ansiedade e depressão. Em 16% da amostra, foram encontrados sinais depressivos moderados ou severos. Em 28%, sinais de ansiedade moderada ou severa. E em 8%, sinais de estresse moderado ou severo. Além disso, ¾ dos entrevistados relataram preocupação significativa com familiares atingidos diretamente pelo coronavírus no que se refere à infecção.

Estresse como parte inerente da vida

Conforme a psicóloga, é importante compreendermos as nossas relações interpessoais, dentro de um tema atual que desperta grande interesse nas pessoas. Ela assinalou que o estresse é parte inerente da existência, o que torna necessário que cada um de nós reconheça, de forma eficaz, os desafios bons e maus no decorrer da vida. “Embora seja impossível eliminar os estressores do dia a dia, está dentro da capacidade humana aprender e praticar estratégias de manejo das tensões, para possibilitar uma vida mais tranquila e de melhor qualidade. Esta é a parte mais otimista do estudo do estresse, a ideia que todos, independentemente de idade e outros fatores, podem, a qualquer momento, aprender a lidar com as tensões”, analisou a psicoterapeuta.



Júlio César Ribeiro e Mariana Martins são proprietários da Clínica de Psicologia Comporte

Segundo ela, a sociedade atual é caracterizada pela volatilidade, ou seja, tudo muda rápido e de maneira profunda. Pegando carona na declaração da psicóloga, complemento que os produtos já chegam às nossas mãos “caducos”, pois perdem o valor em instantes, como costumava falar o psicanalista Eduardo Riaviz em suas aulas de “Ciências da Linguagem” quando eu era aluno do Curso de Comunicação Social. “Como consequência, o mundo está cada vez mais estressante, com a tecnologia avançada, mudanças de valores, crescente desestruturação familiar, alterações nos hábitos, oportunidade de boas carreiras e excesso de competições. Além de outros fatores externos e internos”, observou Mariana Martins.

Ainda conforme Mariana Martins, ainda hoje o organismo humano reage ao estresse de modo fisiológico, como ocorria em relação aos nossos ancestrais. Em épocas primitivas, os batimentos cardíacos dos primeiros hominídeos aceleravam no momento em que enfrentavam os animais ferozes, porque o sangue precisava circular com mais intensidade, sobretudo, nas pernas e braços, a fim de que pudessem lutar ou fugir diante do perigo. “Eles encolhiam os ombros, escondendo a jugular (veia que transporta um volume relativamente grande de sangue dos tecidos da cabeça e do cérebro), com medo de que as feras pulassem em seus pescoços e os matassem”, esclareceu a psicoterapeuta.

Atualmente, como a entrevistada salientou, a nossa luta é verbal e mais sutil. Sendo assim, na maioria das vezes a reação ao estresse não é mais útil e necessária, sendo que nos prepara para uma ação que já não é tão exigida e até condenável, como nos casos de um ataque de fúria no trânsito. “Esse preparo fisiológico para agir contra o estressor de modo físico é altamente negativo para o ser humano atual”, enfatizou Mariana Martins.

Estratégias de enfrentamento ao estresse

Dando sequência à entrevista, Júlio César Ribeiro disse que a melhor estratégia de enfrentamento é aquela apropriada ao estresse do momento, uma vez que oferece uma solução para o desafio sem causar grandes danos físicos, emocionais ou sociais para o nosso organismo. “Os sintomas do estresse são identificados facilmente. Incluem mãos suadas, respiração rápida, taquicardia, acidez no estômago, tensão muscular ou dor de cabeça. Outros são tão sutis que a pessoa às vezes nem percebe. Um dos sintomas mais difíceis de identificar é o desinteresse por quaisquer atividades não relacionadas às causas do estresse. Outros sintomas são a sensação de estar doente, sem que realmente exista qualquer distúrbio físico aparente”, explicou o psicoterapeuta.

A prática de exercícios físicos e da meditação tem efeito positivo contra o estresse


O psicólogo elencou algumas estratégias que podemos utilizar em nosso cotidiano para lidarmos com o estresse, sem que os aborrecimentos emocionais se tornem excessivos e prejudiciais, o que tem impacto significativo no autocontrole e na autoestima. A primeira maneira de enfrentamento é conversar sobre os problemas com alguém de confiança, o que é um pouco complicado por conta da escolha dessa pessoa, tendo em vista que não sabemos, em muitos casos, reconhecer a vulnerabilidade que tanto nos afeta frequentemente.

“Em um segundo momento, podemos parar de pensar um pouco nos problemas, a fim de readquirirmos o controle. É preciso parar, respirar ou fazer outra atividade, para sair um pouco de cena. Outra situação: tentar conter o impulso, descarregando-o por meio de algum exercício físico, jardinagem, limpeza da casa. Enfim, uma caminhada também faz bem”, declarou Júlio César. O profissional da Psicologia mencionou outras estratégias, como fazer uma coisa de cada vez, tendo em vista que, quando experimentamos muita tensão, até tarefas simples se tornam insuportáveis.

Gentileza e bem-estar

“Na medida em que se supera cada tarefa, nota-se que as coisas não são tão terríveis assim. É a ideia de ficar atento para cada situação vivenciada. Outra situação: em virtude das próprias necessidades e imperfeições, geralmente esperamos muito dos outros, o que leva às frustrações. Marcar uma rotina de recreação é importante, como assistir a um filme, fazer um passeio, curtir uma praia, enfim. Devemos melhorar o diálogo interior e utilizar a gentileza”, pontuou o psicoterapeuta de terceira geração. Ele comentou que a ansiedade é eliminada quando substituímos o medo do fracasso pela esperança do sucesso, na maioria da vezes.


A gentileza é uma virtude que nos proporciona saúde física e mental em qualquer contexto

Ribeiro expressou que, em muitas ocasiões, nós não percebemos que deixamos de manter um diálogo interno. Assim sendo, agimos com grosseria, como se fôssemos nossos próprios ditadores. “É bom ser gentil consigo mesmo. O estresse existe em qualquer pessoa, mas podemos evitar que o estresse se torne excessivo por meio de algumas medidas, que incluem mudanças na atitude com relação aos eventos corriqueiros e inesperados da vida. Uma reeducação alimentar, exercício físico, relaxamento, tudo isso é bom. A falta de conhecimento do assunto e também de tratamento adequado podem conduzir a resultados desastrosos, com várias doenças orgânicas. O ideal não é fugir, até porque isso seria impossível, e sim aprender a enfrentá-lo de modo adequado”, finalizou Júlio César.

Convém ressaltar que a Clínica de Psicologia Comporte está localizada na Rua dos Pintassilgos, nº 12, na Ponta do Farol, em São Luís/MA, na mesma via pública onde fica o Kumon, unidade que oferece aulas de matemática, português e inglês. Os interessados podem agendar uma consulta por meio dos seguintes contatos: (98)99202-2230/99200-1095. Não hesite em procurar ajuda profissional quando estiver passando por problemas fisiológicos ou psíquicos. A sua saúde deve sempre ser prioridade. O caminho para a longevidade mental e orgânica é construído a partir das nossas decisões. Agindo assim, você poderá bater no peito e dizer para si mesmo: "vim, vi e venci!".

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© 2019 por Nelson Melo.