• Nelson Melo

Telas de artistas renomados estão à venda na Livraria AMEI

Atualizado: Set 6

Candido Portinari, em sua vida escolar, não foi além do terceiro ano primário. Por esse motivo, ele falou certa vez o seguinte: “quanta coisa eu contaria se pudesse, e se soubesse ao menos a língua, como a cor”. Mas nada disso o impediu de se tornar um dos melhores artistas plásticos de todos os tempos, desde o Paleolítico Superior, quando o ser humano já pintava nas cavernas. A Arte, de maneira geral, possibilita essa sensação de grandeza na alma. O espectador também passa por essa experiência. Uma das maneiras de alcançar isso é visitando a Livraria e Espaço Cultural AMEI, em São Luís/MA, onde telas belíssimas de renomados artistas estão à venda.



As belíssimas telas estão à venda na Livraria e Espaço Cultural AMEI (Foto: Nelson Melo)


Na tarde deste sábado (5), compareci à AMEI, que fica no São Luís Shopping, para verificar como estavam as coisas lá, pois sou membro associado da Livraria. De repente, eu me deparei com os quadros, que estão expostos no salão onde ocorrem as palestras. Fiquei encantado com as telas, que foram pintadas por pessoas talentosas. A variedade de cores não me deixou cego. Pelo contrário: minha visão ganhou um reforço na sensação e na percepção. Percorri o espaço várias vezes, a fim de aproveitar o momento estético. Afinal de contas, a contemplação também é uma forma de meditação.

Não posso dizer que uma é melhor do que a outra, porque o valor da obra de arte depende do emissor e do receptor. Porém, uma me chamou a atenção: “Santa Ceia”, que foi pintada por Paullo Brito. Ele utilizou a técnica do acrílico para a confecção do quadro. A distribuição das cores ficou impressionante na tela. Fiquei vários minutos observando aquela maravilhosa paisagem artística. Os traços dos personagens bíblicos também causaram uma boa impressão. O conjunto de elementos passou a ideia de uma composição digital e tradicional simultaneamente.




A tela pintada pelo artista Paullo Brito chamou minha atenção (Foto: Nelson Melo)


Além dos quadros de Paullo Brito, os de outros autores estão à venda no local, como Bento Moreira Lima, que também é escritor. Autor de vários livros, como “Balaiada – rastros de amor e ódio”, que tenho em minha biblioteca, ele é um excelente artista. No salão da AMEI, há algumas telas dele, como “Namorados”. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente durante uma entrevista que ele me concedeu em sua residência, quando eu trabalhava como repórter no Jornal Pequeno. Na casa, fiquei encantado com os quadros dele que decoram o ambiente.




O quadro pintado pelo escritor e artista Bento Moreira está na AMEI (Foto: Nelson Melo)


Então, peço que vocês façam uma visita ao local, para contemplarem as belas telas. Quem sabe, uma pode despertar o interesse. Os quadros podem ser pagos à vista ou parcelados no cartão de crédito. A Livraria AMEI fica no primeiro andar do São Luís Shopping, no bairro Jaracaty.




Entrevistei o artista plástico e escritor Bento Moreira Lima em outubro de 2017



Arte como ferramenta construtiva


Poucas pessoas sabem, mas eu também sou desenhista. Descobri esse talento na adolescência. Na época, eu fazia muito desenho anatômico, sobretudo de celebridades, como Luma de Oliveira e Kate Winslet. Há dois quadros meus na casa de mamãe. Utilizei a técnica dos lápis aquareláveis nas obras. Quando eu era catequista na Igreja Nossa Senhora de Fátima (Paróquia de Santa Terezinha), no bairro Redenção, em São Luís/MA, trabalhei bastante produzindo desenhos nos eventos, especialmente nos festejos. Então, posso dizer que a Arte me acompanha desde cedo. A minha mente possui as imagens do mundo, o que desperta as emoções coletivas primitivas e contemporâneas.



Um dos quadros que pintei em 2005 está decorando a parede da casa de mamãe



Talvez, a minha experiência com desenho artístico cause sentimentos de pertencimento ao mundo antigo e atual. O fato é que o quadro de Paullo Brito me emocionou porque a tela uniu dois fatores que me provocam reflexões: arte e religião. Esses dois temas, na minha opinião, são fundamentais para a libertação das pessoas no que refere à criminalidade, como sempre friso nas minhas palestras sobre facções criminosas. Todavia, esse processo deve ser autêntico, no sentido de espontaneidade e manifestação, para que os efeitos psicológicos e ontológicos sejam reais e não fantasiosos. As sensações que as obras artísticas provocam no campo afetivo atingem em cheio o aspecto existencial.



Na Vila Embratel, na capital maranhense, por exemplo, existe um projeto fantástico chamado "Cores da Vila", que conheci de perto quando trabalhava como repórter no Jornal O Estado.

Querendo ou não, a Arte é uma maneira socialmente aceitável de escapismo, o que possibilita que os problemas reais e imaginários sejam afastados. Isso pode até ser efêmero, mas é eficiente e tem impacto duradouro na alma. A mente humana é repleta de imagens inconscientes de heróis e outros personagens que sobrevivem ao tempo cronológico e se misturam aos momentos atuais vivenciados pela consciência. Evidentemente, estou me referindo aos arquétipos, que são a sedimentação da experiência multimilenar.



Tive a oportunidade de conhecer de perto o projeto "Cores da Vila" na Vila Embratel



Essas formas vazias, como estudou Carl Gustav Jung, são preenchidas pelas representações pessoais. Em outras palavras, o arquétipo é um modelo original pertencente à humanidade. A contemplação artística e a produção artística conseguem despertar essas imagens. Esse processo, no campo cotidiano, pode culminar no autoconhecimento, que funciona como uma barreira psíquica favorável à virtude, em detrimento dos vícios. Conscientemente, o sujeito se torna capaz de visualizar o horizonte de possibilidades em sua própria vida.


Freud, em “O mal-estar na cultura”, destacou que essas “satisfações substitutivas” são eficazes psiquicamente, a partir da manifestação da fantasia, o que leva à sensação de similaridade entre a neurose e a criação artística. O processo, em um sentido mais prático, caracteriza-se como uma renúncia. A arte é esse fenômeno fantástico, que acompanha o ser humano desde épocas primitivas. Se soubéssemos a cor como a língua, poderíamos contar muitas coisas. O bom é que, se não temos talento para sermos artistas, devemos ao menos ter vontade para sermos espectadores.

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© 2019 por Nelson Melo.