• Nelson Melo

Um líder nunca deve contar com a sorte ou falhas do inimigo

Quem me conhece sabe que adoro debates sobre guerras. Não à toa, tenho vários livros que abordam os conflitos bélicos, desde o estranhamento entre os nossos ancestrais até algo mais recente, do ponto de vista histórico, como a Segunda Guerra Mundial. A competição, a vaidade, o poder e a sobrevivência estão nos bastidores de um cenário marcado pelas hostilidades. Evidentemente, os conceitos de espaço e território influenciam as decisões. Mas alguns aspectos mencionados por líderes em campanhas militares ultrapassam os limites entre teoria e prática.




Nós lutamos contra "monstros" diariamente enquanto o precioso tempo passa rápido




Há pouco mais de dois meses, comprei um livro intitulado “Napoleão – a arte da guerra e do poder”, da editora Pé da Letra. A obra contém várias máximas de Bonaparte, que morreu aos 51 anos em 1821. Em um dos pensamentos, Napoleão diz o seguinte: “Ao realizar o planejamento de uma campanha, é necessário antecipar tudo que o inimigo pode fazer e estar preparado com todos os meios necessários para neutralizá-lo. Planos de campanha podem ser modificados ad infinitum de acordo com as circunstâncias – a genialidade do general, o caráter das tropas e a topografia do palco de ação”.





A melhor jogada sempre deve ser a nossa porque o inimigo também quer ser sortudo




Sobre isso, o livro emite uma nota cujo conteúdo frisa que, às vezes, ao vermos uma campanha arriscada ser bem-sucedida, percebemos que seu plano é exatamente o inverso dos princípios da arte da guerra. No entanto, “esse sucesso depende geralmente da sorte ou de falhas cometidas pelo inimigo – duas coisas com as quais um general nunca deve contar”. Particularmente, concordo. Afinal de contas, pensar em ganhar uma batalha apenas se defendendo não é uma boa ideia. O segredo é agir sempre fundamentado em estratégias.






Esperar um erro do adversário é arriscado. E se o inimigo não cometer uma falha? De repente, a batalha termina antes do esperado. Na vida, lutamos contra “monstros” enquanto o tempo passa rápido. Aguardamos uma doença para cuidarmos da saúde, por exemplo. O correto seria evitar o caos para que a ordem não enfraqueça. Outra situação: um pai sabe que seu filho prefere ficar o dia inteiro jogando dominó na calçada do vizinho a estudar, mas não chama sua atenção porque o garoto é aprovado ao final do ano letivo.






Outras pessoas esperam uma crise existencial para acreditar em Deus. Na série “The Walking Dead”, há uma comunidade chamada Alexandria, cujos primeiros habitantes tentavam viver como se o apocalipse zumbi fosse uma circunstância distante. Devido a essa atitude, não se prepararam para uma guerra, porque imaginavam um mundo livre do caos. Mas o pior aconteceu: a vila sofreu um ataque de hostis. Os moradores não estavam prontos para o combate. A invasão abalou não apenas a estrutura territorial, como também a emocional.





Os habitantes de Alexandria em The Walking Dead improvisaram durante a invasão inimiga




O filósofo já havia alertado que a paz é recarregar armas. Isso significa que existem os momentos felizes, que devem ser vivenciados com intensidade, uma vez que a “terra prometida” pode ser alcançada com esforço, fé e dedicação. O inimigo comemora quando nossas fortificações são frágeis, sendo que ele pode ser o sortudo como resultado de uma posição defensiva do oponente. Um bom plano ainda é uma garantia de sobrevivência.

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