• Nelson Melo

USC cria questionário para ouvir moradores do Polo Coroadinho

Em setembro de 2014, foi inaugurada a 2ª Unidade de Segurança Comunitária do Coroadinho/Bom Jesus (2ª USC), na capital maranhense, com a missão de intensificar o Policiamento Comunitário, que tem como uma das prioridades melhorar o relacionamento entre as forças policiais e a sociedade. Essa metodologia se manifesta no sentido de reconstruir a credibilidade e confiança das pessoas na polícia, o que tem influência decisiva na contenção da violência urbana. Como uma forma de estreitar essa abordagem, a 2ª USC criou um questionário, a fim de ouvir a comunidade do Polo Coroadinho, área de circunscrição da unidade, pertencente à Polícia Militar do Maranhão.

Os policiais da 2ª USC estão acompanhando as respostas dos moradores no questionário

De acordo com informações divulgadas pela 2ª Unidade de Segurança Comunitária em seu perfil no instagram, o questionário tem o objetivo de avaliar o trabalho dos policiais militares no Polo Coroadinho. Sendo assim, para a segurança dos moradores, tudo será mantido em sigilo, sem a exigência, por exemplo, de nenhum dado pessoal de quem participar. Desse modo, a unidade policial poderá montar um padrão de satisfação da população daquela região, o que será fundamental para a definição de novas estratégias de enfrentamento à criminalidade e outros aspectos, como as ações vinculadas à filosofia do Policiamento Comunitário, que tem como um de seus princípios a descentralização e personalização, isto é, o integrante da segurança pública deve se envolver plenamente com a comunidade, para conhecer a realidade dos habitantes.

A 2ª Unidade de Segurança Comunitária criou o questionário com perguntas aos moradores

Com o intuito de ouvir as pessoas, a 2ª Unidade de Segurança Comunitária elencou perguntas objetivas aos moradores sobre local de habitação, idade e escolaridade. Além disso, listou perguntas subjetivas referentes ao relacionamento entre a polícia e a comunidade. O questionário é uma das formas de implementação do Policiamento Comunitário, que, conforme a Policie Foundation, é baseado em três elementos: o trabalho da polícia é resolver problemas e não apenas responder a incidentes; a polícia deve se preocupar com problemas relacionados à desordem e à incivilidade tanto quanto se ocupa com crimes graves; e a redução do crime e da desordem permite que a polícia trabalhe cooperativamente com a população de cada bairro para identificar suas preocupações e resolver seus problemas.

Doutrina do Policiamento Comunitário

A doutrina do Policiamento Comunitário ganhou força nas décadas de 1970 e 1980, devido ao avanço da criminalidade, uma vez que os bandidos se reinventaram a partir da formação de uma estrutura que imita a organizacional em vários aspectos, incluindo o hierárquico, como é observado nas facções criminosas. Assim sendo, os moradores se tornaram sujeitos ativos na construção de estratégias de combate e prevenção aos delitos. Isso significa que as pessoas tiveram a oportunidade de apresentar sugestões e apontar erros. Isso, evidentemente, além de melhorar o relacionamento com as forças policiais, também ajudou na redução dos índices de homicídios, tráfico de drogas, roubos, furtos e outras modalidades de desvirtuamento da conduta moralmente aceitável.

Militares da 2ª USC em momento de preparação para uma operação no Polo Coroadinho

Essa contribuição não é apenas volitiva, tendo em vista que a Constituição Federal (CF) adverte, no Artigo 144, que a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A população, por meio desse tipo de policiamento, recebe uma intervenção policial tanto reativa como proativa. Isso representa, respectivamente, o atendimento às ocorrências e a realização de ações preventivas. Nesse segundo caso, um exemplo é o oferecimento de palestras nas escolas de um bairro pelos policiais.

Segundo David Bayley, um dos primeiros estudiosos em Policiamento Comunitário nos EUA, essa doutrina possui quatro características fundamentais: realização de consultas à população sobre problemas, prioridades e estratégias de resolução; estratégia policial voltada para áreas e problemas específicos; mobilização da comunidade para autoproteção e para resolução de problemas que geram crimes; e foco das ações na resolução de problemas geradores de crime e desordem (prevenção). Seguindo esses parâmetros, qualquer instituição policial conseguirá se aproximar dos moradores com êxito, sem a necessidade de intermediários nesse processo, exceto quando a situação exigir.

A doutrina do Policiamento Comunitário permite a integração entre a polícia e a comunidade

Levar em consideração o Policiamento Comunitário é valorizar o contexto no qual as pessoas sobrevivem, cantam, dançam, desenham, correm, caminham, pulam, choram, dormem e acordam. É uma prática com resultados espetaculares. Todas as partes envolvidas saem vitoriosas. Os únicos derrotados, sem sombra de dúvidas, são os próprios criminosos.

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© 2019 por Nelson Melo.