• Nelson Melo

Voz de Roberto Fernandes percorre o Universo porque é eterna

O jornalista e radialista Roberto Fernandes nos deixou este ano nesse cenário pandêmico que continua provocando destruição nos continentes. Mas o legado dele permanece na memória de quem ficou, sem sombra de dúvidas. Muitas pessoas, com certeza, hoje estão se consolidando na imprensa maranhense após dicas do profissional. Além da inteligência, algo que o tornava tão carismático era sua bela voz, que está percorrendo o Universo, assim como as naves espaciais Voyager 1 e 2, que já ultrapassaram a heliosfera, região do cosmo que está sob influência dos ventos solares.



Roberto Fernandes deixou um legado impressionante para a nova geração de jornalistas



Fernandes tinha uma dicção impressionante. Isso é tão indiscutível quanto o fato de que o átomo não é a menor unidade da matéria, como pensavam Demócrito e Leucipo em uma época na qual não havia rádio. Essas partículas elementares não são indivisíveis, uma vez que podem ser rompidas na fissão nuclear. Os pensadores gregos imaginavam, ainda, que os átomos eram eternos. O conceito de eternidade é amplo, mas podemos afirmar que a voz do jornalista Roberto Fernandes ecoa pelo espaço interestelar porque é única. A sonoridade que ele conseguia manifestar quando falava sempre tinha uma conotação poética.



Lembro-me de que ele, durante duas ou três vezes, leu crônicas que escrevi na “Mensagem do Dia”, no programa “Ponto Final”, da Rádio Mirante AM. No meu rádio de pilhas, eu ouvi atentamente cada sílaba soletrada pelo jornalista em todas as ocasiões. A voz de Roberto gerava, de certa forma, uma paz em minha alma, de tal modo que a ideia de conflito praticamente desaparecia dos meus pensamentos. A minha mente, em outras palavras, ficava tranquila, porque a poesia, quando é proferida, afasta sentimentos como angústia, medo, preocupação e frustração. Tudo isso fica aqui, enquanto o legado ultrapassa a atmosfera em direção ao infinito.



Em 2012, a Voyager 1 ultrapassou a heliosfera, o que significa que ficou livre da influência do Sol. A mesma coisa aconteceu com a Voyager 2, em 5 de novembro de 2018. As duas sondas foram lançadas em 1977, com o objetivo de explorar os planetas do Sistema Solar. Agora, estão vagando no espaço interestelar, levando informações sobre a Terra para “quem” encontrá-las. Percorrendo o cosmo, a voz de Roberto Fernandes também está no mesmo processo, em um ciclo interessante porque retorna aos nossos ouvidos com a mesma intensidade de quando saiu do nosso planeta.



A "Mensagem do Dia" lida por Roberto colocava poesia no programa "Ponto Final"



A bela voz do radialista causava o mesmo efeito que a música provoca em nosso campo emocional. Fernandes não está mais entre nós presencialmente, mas ele continua entre nós espiritualmente, tendo em vista que a imagem dele nunca morrerá em nossas lembranças. A “Mensagem do Dia” continua sendo real, porque ainda ouvimos mentalmente, o que nos possibilita a reflexão sobre quem somos e o que estamos fazendo. A nossa missão deve ser direcionada para o caminho do bem. Fugir dessa verdade é negar que existe um aspecto divino no Universo.



A missão de Roberto Fernandes foi cumprida com êxito. Ele incentivava as pessoas mesmo quando não falava nada, uma vez que a forma como se comportava e trabalhava transmitia a mensagem de humildade, respeito e compreensão. Para nossa alegria, a voz dele segue um caminho finito no Universo porque retorna sem perder a poesia. Esse percurso é o ponto de partida para que sua memória não seja jamais esquecida e sua presença seja sempre sentida.

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© 2019 por Nelson Melo.