• Nelson Melo

‘Zé Pança’: um dos primeiros criminosos na região da Redenção/Filipinho

Atualizado: Jan 14

O bairro Redenção, que fica entre o Filipinho e o Coroado, em São Luís, se formou no final da década de 1960, mas a configuração foi se transformando até chegar ao formato atual, marcado pela presença de vários postes de energia elétrica. Naquela época, predominavam as lamparinas. Entre o final da década de 1970 e até meados do período de 1980, um criminoso aterrorizava a região. Ele era conhecido pela alcunha de “Zé Pança”, segundo os primeiros moradores da comunidade.


Eu conversei com os primeiros moradores da Redenção para esse artigo. De acordo com eles, “Zé Pança” ganhou essa alcunha por conta da sua barriga proeminente. A fama dele se espalhou para as regiões adjacentes. Alguns disseram que ele residia na “Tijuca”, como era conhecida a atual Rua 2. Naquele trecho, havia plantação de eucalipto, de caju e de manga, perto do mangue onde atualmente é o Coroado. Outros relataram que o criminoso morava na Rua Principal, atual Rua 3.


“Eu me recordo que ele era todo ‘remendado’, devido a cortes que levou em sua vida criminosa”, relembrou um dos moradores entrevistados. Essas marcas no corpo de “Zé Pança” foram o resultado de brigas com uso de facas nas quais se envolveu. Inclusive, ele sempre andava com uma arma branca, para praticar assaltos e se defender de seus inimigos.



A Rua 3 do bairro Redenção era conhecida como "Rua Principal" antes de 1990

Assaltos


Conforme os moradores antigos, “Zé Pança” não cometia assaltos na Redenção, onde morava. Essa ideia nos remete ao fato de que, na configuração atual, as facções criminosas estabelecem os “tribunais do crime”, por meio dos quais os roubos/furtos são proibidos nas “quebradas”. No bairro em questão, a organização que predomina é o Bonde dos 40.

As pessoas que entrevistei disseram que “Zé Pança” saía para o Filipinho, principalmente, onde invadia comércios e até casas. Com sua faca afiada, ameaçava as vítimas e subtraía os pertences. “Ele vivia disso. Era uma espécie de ‘Lampião’, por assim dizer. Depois, ele retornava para a Redenção, onde se escondia da polícia. Aqui, ele se sentia protegido”, analisou um dos moradores.


De acordo com os entrevistados, apesar de invadir comércios no Filipinho, ele evitava atacar alguns estabelecimentos comerciais da região, por conta de amizades que tinha com pessoas de lá. “Ele escolhia os locais para roubar. Em outros, ele não fazia de jeito nenhum, mesmo que tivesse a oportunidade. Quem não era conhecido dele, se dava mal”, pontuou uma das fontes indagadas.


Morte do criminoso


Os moradores não conseguiram se lembrar de como ele morreu. Um dos entrevistados contou que “Zé Pança” teria sido morto por um homem que residia na Redenção, na Rua Principal. Os dois teriam discutido por motivos desconhecidos. “Eu não tenho certeza, mas, pelo que me recordo, foi porque ‘Zé Pança’ subiu na casa desse morador, para fazer alguma coisa. Aí, o bandido saiu correndo, mas foi alcançado pelo morador, que deu vários tiros nele”, declarou. O fato é que, com a morte de “Zé Pança”, os assaltos no Filipinho e adjacências caíram muito naquela época, conforme os moradores.


A forma de agir dele é um arquétipo de como o “estado paralelo” funciona nos tempos atuais, quando faccionados evitam praticar delitos nas suas “quebradas”, mas aterrorizam outros lugares onde os “tribunais do crime” não possuem circunscrição.

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© 2019 por Nelson Melo.